São Paulo — O ex‐ministro da Educação e pré‐candidato ao governo paulista, Fernando Haddad (PT-SP), declarou nesta terça-feira (21/07/2026) que recusou repetidos pedidos de reunião feitos pelo ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro depois de examinar os balanços do liquidado Banco Master e receber alertas negativos do mercado financeiro.
“Vorcaro tentou se aproximar de mim por diversos caminhos, mas nunca pelos canais oficiais. Já havia analisado o balanço do Banco Master e obtido informações preocupantes. Por isso, não o recebi; não havia o que conversar”, disse Haddad em entrevista ao canal My News.
Tentativas de pressão
Segundo o petista, as solicitações de audiência passaram a vir acompanhadas de recados velados sobre um possível “caos” caso algo acontecesse com o empresário. “Os pedidos trouxeram mensagens implícitas de que, se algo ocorresse com ele, o caos se instalaria. O Brasil não pode passar pano nem politizar investigações criminais”, afirmou.
Rede de influência sob investigação
Apurações da Polícia Federal indicam que Vorcaro construiu ampla rede de contatos em Brasília, envolvendo parlamentares tanto da base do governo quanto da oposição, como os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Ciro Nogueira (PP-PI). Ministros do Supremo Tribunal Federal, entre eles Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, também apareceram em relatórios da PF.
Autonomia da PF
Haddad negou qualquer interferência do governo Lula nas investigações. “É preciso investigar e punir quem errou. Até aqui, a Polícia Federal tem atuado com ampla autonomia: investiga, apura, comprova, processa e prende quando necessário”, destacou.
Origem do escândalo
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 28 de novembro de 2025, apontando supostas fraudes e descumprimento de normas do sistema bancário. No mesmo dia, a PF deflagrou a Operação Compliance Zero, que levou Vorcaro à prisão por suspeita de emissão de títulos de crédito falsos.
Entre os focos da investigação estão operações de cerca de R$ 12,2 bilhões envolvendo carteiras de crédito consignado negociadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). O então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também foi detido.
Com informações de Gazeta do Povo