Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta terça-feira, 21 de julho de 2026, que o Brasil “não se entrega” diante da possibilidade de os Estados Unidos aplicarem, ainda nesta semana, uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros.
Nova cobrança via Seção 301
A medida, baseada na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, foi anunciada como resposta a supostas práticas de trabalho forçado em cadeias produtivas brasileiras. O Palácio do Planalto contesta o fundamento da investigação, alegando uso de dados defasados.
Em publicação nas redes sociais, Lula sustentou que “nada é mais sagrado do que a defesa da soberania nacional” e que “o Brasil não se curva” a pressões externas.
Retaliação e tarifaço já em vigor
Integrantes do governo interpretam a nova tarifa como retaliação da administração Donald Trump após o Brasil recusar exigências relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na semana anterior, Washington já havia imposto sobretaxa de 25% sobre parte das exportações brasileiras, acusando práticas comerciais anticoncorrenciais.
Estados mais afetados
Análises do Ministério das Relações Exteriores indicam que:
- São Paulo responde por cerca de US$ 3 bilhões dos US$ 7,2 bilhões em bens sujeitos às novas tarifas;
- Santa Catarina terá aproximadamente 68% de suas vendas ao mercado norte-americano impactadas;
- Juntos, os dois estados concentram 52% das exportações brasileiras que não obtiveram isenção.
Negociação continua
Apesar do endurecimento das barreiras, Brasília mantém canais abertos com Washington para tentar ampliar a lista de produtos isentos. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, já ocorreram mais de 30 reuniões — presenciais, virtuais ou por telefone — com autoridades norte-americanas. Esses encontros incluíram 11 conversas diretas com o secretário de Estado, Marco Rubio, e com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, além de diálogos entre Lula e o presidente Donald Trump.
Vieira afirmou que as exigências feitas pelos EUA durante as negociações foram “desmedidas” e “irracionais”, acrescentando que o governo brasileiro não aceitará “capitulação”.
Enquanto a tarifa de 12,5% não é oficializada, técnicos dos dois países continuam trocando informações técnicas e comerciais na tentativa de mitigar os efeitos imediatos sobre setores exportadores brasileiros.
Com informações de Gazeta do Povo