Washington anunciou em julho de 2026 uma sobretaxa que pode chegar a 37,5% sobre uma série de itens originários do Brasil, abrindo um novo capítulo de atrito comercial entre os dois países.
Motivos alegados pelos Estados Unidos
O Escritório do Representante de Comércio dos EUA justificou a medida apontando supostas falhas brasileiras no combate ao trabalho forçado, ao desmatamento ilegal e à pirataria. Segundo o órgão, práticas consideradas desleais incluem:
- exportação de madeira proveniente de áreas desmatadas ilegalmente;
- subsídios estatais a setores específicos;
- o Pix, classificado pelos americanos como concorrência desleal por ser gerido pelo Estado.
Fatores políticos em segundo plano
Analistas observam que a decisão tem forte cunho político. Desde 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez 62 críticas públicas ao então presidente norte-americano Donald Trump, o que, na avaliação de especialistas, enfraqueceu o diálogo entre Brasília e Washington.
A guinada brasileira em direção aos BRICS e a aproximação com China e Rússia também contribuiu para o choque de interesses, deixando o país exposto à chamada linkage diplomacy — estratégia norte-americana que vincula acordos comerciais a cooperação em temas como direitos humanos e alinhamento político.
Reação de Brasília
O governo brasileiro reagiu com tom duro para o público interno e anunciou que pode sobretaxar eletrônicos, celulares e outros produtos feitos nos Estados Unidos. Técnicos alertam, porém, que a retaliação tende a encarecer o consumo interno e impactar mais a indústria nacional do que a norte-americana.
O Planalto também sinalizou a possibilidade de usar recursos públicos para compensar empresas afetadas pelas novas tarifas.
Produtos que escaparam da sobretaxa
A pressão de entidades privadas norte-americanas garantiu exceções. Aeronaves, carne e café — considerados insumos estratégicos para cadeias produtivas dos EUA — ficaram de fora do aumento tarifário, revelando a força do lobby empresarial na definição das listas.
Apesar das tentativas de negociação, o impasse mantém elevada a tensão comercial entre os dois países, com potenciais reflexos sobre exportadores brasileiros já nos próximos meses.
Com informações de Gazeta do Povo