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Seguro-desemprego consome R$ 49 bilhões em 2025 mesmo com taxa de desemprego mínima histórica

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Brasília – A conta do seguro-desemprego voltou a crescer com força no país, mesmo diante do recuo do desemprego a 5,8% em fevereiro de 2026, a menor taxa para o mês na série do IBGE. Em 2025, as despesas com o benefício somaram R$ 49 bilhões, alta de 31% em relação a 2021.

Mais trabalhadores formais, mais pedidos

Após registrar apenas 444 mil beneficiários em julho de 2021, o total de pessoas recebendo seguro-desemprego subiu quase continuamente, atingindo cerca de 560 mil no fim de 2025. O avanço acompanha a abertura de 5,8 milhões de empregos com carteira assinada entre 2021 e 2025. Como o benefício é exclusivo de trabalhadores formais, a base ampliada eleva, automaticamente, o potencial de gastos públicos.

O perfil predominante dos requerentes reúne profissionais com ensino médio completo, renda de um a três salários mínimos e provenientes, em grande parte, do setor de serviços.

Salários mais altos elevam tíquete médio

Entre dezembro de 2021 e dezembro de 2025, os salários do setor privado cresceram 8,7% acima da inflação, reflexo da recuperação pós-pandemia e da menor oferta de mão de obra. O valor médio da parcela do seguro-desemprego passou de R$ 1.663 para R$ 1.843 no período, ganho real de 10,8%. Em fevereiro de 2026, o tíquete médio chegou a R$ 1.945,63.

Demissões aumentam, mas rotatividade segue estável

O gatilho para o benefício, a demissão sem justa causa, superou em 1,1 milhão o nível pré-pandemia em 2023. Ainda assim, a relação entre desligamentos e o estoque total de empregos formais permanece entre 23% e 24%, indicando que a rotatividade não se acelerou. Após um pico em 2022, a taxa voltou ao patamar histórico.

Embora pedidos de demissão também tenham crescido em razão do mercado aquecido, esses casos não geram direito ao seguro-desemprego.

Pressão sobre o orçamento público

O benefício é financiado pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), formado por contribuições de empresas e trabalhadores. Quando as despesas do fundo superam sua arrecadação, o Tesouro Nacional cobre a diferença. Dessa forma, o avanço dos gastos com seguro-desemprego acaba apertando o espaço fiscal e competindo indiretamente com outras prioridades do governo.

Com informações de Gazeta do Povo