Brasília – Preso em abril deste ano, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, trabalha em um acordo de delação premiada que promete detalhar o caminho do dinheiro em fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master e autoridades políticas. A colaboração pode contradizer a proposta feita pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master, e reorientar as investigações da Polícia Federal.
Depoimento considerado mais robusto
Investigadores avaliam que Costa está disposto a entregar provas documentais sobre o fluxo financeiro do esquema, além de citar nomes de peso no cenário político. Vorcaro, por sua vez, apresentou versões consideradas superficiais e tentou preservar parte dos envolvidos, segundo a PF. A divergência entre os dois relatos deve levar a uma acareação indireta, em que agentes confrontarão informações para identificar omissões ou mentiras.
Ibaneis Rocha no centro das suspeitas
Mensagens interceptadas mostram Costa sugerindo a Vorcaro a necessidade de “alinhar o discurso” com o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, responsável por indicá-lo à presidência do BRB. Rocha afirma que apenas solicitou dados técnicos para defender a legalidade das operações, barradas pelo Banco Central em 2025.
Seis apartamentos de luxo como propina
A PF investiga a suposta doação de seis apartamentos em São Paulo, avaliados em R$ 150 milhões, que teriam sido oferecidos por Vorcaro a Costa. Conversas registradas revelam o ex-presidente do BRB levando familiares para escolher uma das unidades onde moraria. Os imóveis seriam pagamento por facilidades concedidas pela instituição pública ao Banco Master.
Rombo de R$ 12 bilhões no BRB
O prejuízo investigado envolve a compra, pelo banco brasiliense, de cerca de R$ 12 bilhões em títulos do Banco Master sem valor de mercado. A apuração indica que parte desses ativos sequer existia, classificando-os como fraudulentos. O impacto impediu o BRB de divulgar o balanço financeiro de 2025.
Dificuldades para a delação de Vorcaro
A Polícia Federal já rejeitou uma proposta de colaboração do ex-banqueiro e mantém ceticismo em relação à segunda. Segundo a corporação, Vorcaro apresentou apenas fatos já conhecidos, como menções ao senador Ciro Nogueira, sem provas inéditas. Além de informações, a Justiça exige o ressarcimento mínimo de R$ 60 bilhões aos cofres públicos.
Nos bastidores, investigadores veem na delação de Paulo Henrique Costa a possibilidade de esclarecer a participação de agentes públicos e rastrear o destino dos recursos desviados, podendo redefinir os rumos do processo.
Com informações de Gazeta do Povo