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Propostas em debate no Congresso podem somar R$ 140 bilhões às despesas dos municípios

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Brasília – Quinze projetos em tramitação na Câmara dos Deputados e no Senado, que tratam de criação de pisos salariais, reajustes, redução de jornada e antecipação de aposentadorias, podem elevar em até R$ 140 bilhões os gastos das prefeituras brasileiras. O alerta foi feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que pressiona parlamentares a considerar o impacto das medidas sobre as contas locais em pleno ano eleitoral.

Pressão de categorias cresce em ano de eleição

Representantes de profissionais da saúde, da educação e da limpeza urbana intensificaram a presença nos corredores do Congresso. “Nunca o movimento por pisos salariais nacionais foi tão frequente no país”, afirmou o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski. Em 2022, às vésperas das eleições, deputados aprovaram o piso da enfermagem e senadores chancelaram a remuneração mínima de agentes de saúde.

Custo extra com pessoal ultrapassa R$ 50 bilhões

Dos 15 textos em análise, sete instituem novos pisos salariais que, segundo a CNM, acrescentariam mais de R$ 50 bilhões por ano às despesas municipais — um aumento de cerca de 10% na folha de pagamento das prefeituras.

Aposentadoria especial pode chegar a R$ 100 bilhões

Projetos que concedem aposentadoria antecipada ou especial, a exemplo do PLP 185/2024 e da PEC 14/2021 voltados a agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, respondem pela maior parte do impacto estimado: algo superior a R$ 100 bilhões, de acordo com o cenário escolhido.

Finanças municipais já estão no limite

Os cofres das cidades registraram superávit de apenas 0,04% do PIB nos 12 meses encerrados em março, o melhor resultado em três anos, segundo o Banco Central. Para Marcelo Faria, presidente do Instituto Liberal de São Paulo (Ilisp), não se trata de “um ajuste marginal, mas de uma bomba fiscal que compromete a capacidade de gasto dos municípios”.

Outras pressões sobre o caixa local

A CNM cita ainda decisões federais recentes que afetam a arrecadação ou aumentam despesas municipais, como:

  • Isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, em vigor desde 2026, com perda estimada de R$ 5,1 bilhões por ano para as prefeituras;
  • Reoneração da folha de pagamentos em 2024, que acrescenta R$ 3,5 bilhões às despesas municipais neste ano;
  • Medida Provisória 1.334/2026, que modifica o cálculo do piso do magistério, elevando os gastos em mais R$ 8 bilhões.

Constituição exige fonte de custeio

A maioria das propostas, segundo a CNM, desrespeita a Emenda Constitucional 128, que proíbe a criação de encargos sem indicação da fonte de financiamento. “É um verdadeiro cheque sem fundos passado pelo Congresso para o pagador de impostos”, criticou Marcelo Faria.

Estratégia parlamentar: adiar e negociar

Para evitar desgaste com eleitores e com prefeituras, congressistas têm adiado votações ou buscado concessões que reduzam o impacto fiscal. Durante sessão plenária em abril, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pediu cautela: “Se tivéssemos condições de pagar, votaríamos todos os pisos, mas os municípios não terão recursos”.

Carga tributária recorde amplia debate

Com a carga de impostos no país em nível histórico, Marcelo Faria argumenta que novos gastos permanentes agravam a situação. “O Brasil não precisa de mais despesas, e sim de redução de impostos e de privilégios”, afirmou.

As 15 propostas continuam avançando nas comissões do Congresso sem previsão de votação em plenário. Enquanto isso, prefeitos alertam para o risco de colapso das contas locais caso os textos sejam aprovados sem fonte de custeio.

Com informações de Gazeta do Povo