A produtividade da economia brasileira encolheu 18,5% nas últimas três décadas, atingindo hoje o mesmo patamar registrado em 1958. O dado, levantado por especialistas do setor, coloca em xeque a capacidade do país de elevar renda e salários justamente no momento em que o bônus demográfico se aproxima do fim.
O que significa produtividade
Produtividade mede o volume de riqueza gerado a partir dos mesmos recursos – máquinas, tecnologia e mão de obra. Quando esse indicador cresce, empresas conseguem ampliar lucros e pagar melhores salários sem precisar aumentar o quadro de funcionários. O movimento é considerado fundamental para sustentar a expansão da renda média ao longo do tempo.
Fim do impulso demográfico
Durante décadas, o Brasil avançou graças à “multiplicação de braços”, cenário em que a população jovem superava largamente o número de idosos e crianças. Com a natalidade em declínio, esse impulso se esgota: em aproximadamente 15 anos, a população em idade ativa deixará de crescer. A partir daí, a única saída para impulsionar o Produto Interno Bruto será fazer cada trabalhador produzir mais.
Burocracia em ritmo industrial
Empresas instaladas no país enfrentam um emaranhado de regras. Estimativas mostram que mais de duas novas normas entram em vigor a cada hora útil, criando insegurança jurídica e custos extras. A abertura e manutenção de negócios figuram entre as mais dispendiosas do mundo, em razão de um sistema tributário complexo e de constante mudança.
A exceção do agronegócio
Enquanto a indústria nacional se protegeu com tarifas de importação, o campo apostou em competição aberta. Produtores agrícolas investiram em tecnologia, melhoramento genético e técnicas modernas, com apoio decisivo da Embrapa. O resultado foi um salto de eficiência que contrasta com a estagnação verificada em outros segmentos da economia.
Infraestrutura e inovação travadas
Estradas esburacadas, portos sobrecarregados e logística cara elevam custos e reduzem a competitividade de produtos brasileiros. Ao mesmo tempo, gastos em pesquisa, ciência e tecnologia estão estagnados. Sem incentivos à adoção de ferramentas digitais e à requalificação da força de trabalho, o país perde terreno para concorrentes internacionais.
Especialistas alertam que, sem avanços em infraestrutura, simplificação regulatória e introdução maciça de inovação, o Brasil permanecerá preso a níveis de produtividade de seis décadas atrás.
Com informações de Gazeta do Povo