Brasília, 13 de abril de 2026 – A iniciativa do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para acabar com a escala de trabalho 6×1 enfrenta forte resistência no Congresso Nacional, apesar da entrada do deputado José Guimarães (PT-BA) na chefia da articulação política do Planalto.
Guimarães assumiu a Secretaria de Relações Institucionais com a missão de garantir apoio ao projeto que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, estabelecendo cinco dias de trabalho e dois de descanso. A proposta, assinada pelos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP), é tratada pelo governo como peça-chave da campanha eleitoral deste ano.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), marcou a análise do texto na Comissão de Constituição e Justiça para a próxima quarta-feira (15) e adiantou que será criada uma comissão especial com prazo de um mês para emitir relatório antes de levar o tema ao plenário, possivelmente ainda em maio.
Setor produtivo reage
Entidades empresariais alertam que a redução de jornada sem compensação proporcional pode elevar custos, retraindo a atividade econômica e pressionando preços. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta queda de 0,7% no Produto Interno Bruto, o equivalente a R$ 76,4 bilhões por ano, e recuo de 1,2% na indústria, com reflexos também no comércio e nos serviços.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, classificou o debate como “inadequado” em período de disputa eleitoral. “Não será uma discussão responsável sob pressão populista”, declarou.
A crítica ganhou corpo em manifesto assinado por 463 entidades empresariais. O documento sustenta que a mudança pode provocar demissões e inflação, defendendo transição gradual, negociação coletiva e estudos técnicos aprofundados.
A Confederação Nacional do Comércio (CNC) reforçou o apelo por diálogo e teme encarecimento de produtos e cortes de vagas, sobretudo em setores de alta rotatividade e jornadas extensas, como comércio, serviços e segurança.
Na avaliação de representantes patronais, pequenas e médias empresas tendem a responder aos novos custos com enxugamento de quadros ou repasse de despesas ao consumidor final.
Com informações de Gazeta do Povo