Brasília — 22 de maio de 2026. As recentes restrições impostas pelo governo federal ao saque-aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) reduziram o valor que o trabalhador pode antecipar e, na prática, o empurram para linhas de crédito muito mais caras em um momento de endividamento recorde no país.
Como funcionam as novas regras
Desde novembro de 2025, o limite para antecipação caiu para cinco parcelas anuais futuras. A partir de novembro de 2026, serão permitidas apenas três. Cada parcela deve ficar entre R$ 100 e R$ 500, o que diminui significativamente o montante disponível ao empregado.
Perda de acesso ao crédito mais barato
A antecipação do FGTS, que cobra juros entre 1,2% e 2% ao mês, figura entre as modalidades de empréstimo mais baratas do mercado. Com o novo teto, quem precisa de dinheiro rápido acaba recorrendo a opções bem mais onerosas: o crédito pessoal tradicional custa em torno de 6,7% ao mês, enquanto o rotativo do cartão de crédito chega a quase 15% mensais.
Justificativa oficial
O Ministério do Trabalho considera a modalidade uma “armadilha” porque, ao antecipar parcelas, o trabalhador perde o direito de sacar o saldo integral do FGTS se for demitido sem justa causa, ficando apenas com a multa de 40%. Além disso, o governo sustenta que retiradas frequentes enfraquecem o fundo, utilizado para financiar habitação popular, saneamento básico e obras de infraestrutura.
Alternativa: Desenrola 2.0
Para amenizar o impacto, o Executivo lançou o Desenrola 2.0, voltado a quem ganha até cinco salários mínimos. O programa permite usar até R$ 1 mil ou 20% do saldo do FGTS para quitar dívidas, com juros de 1,99% ao mês. O saque, porém, suspende temporariamente novos pedidos de saque-aniversário até que futuros depósitos do empregador recomponham o valor retirado.
Reação de especialistas e dos trabalhadores
Economistas classificam a medida como “paternalismo estatal”, alegando que o governo decide como o cidadão deve administrar o próprio patrimônio. Levantamentos apontam que 90% dos usuários da antecipação são contrários ao fim da modalidade. Segundo as pesquisas, 70% destinam os recursos a dívidas urgentes; o restante usa o dinheiro para despesas de saúde ou compra de alimentos.
Com as restrições, especialistas alertam para o risco de aumento da inadimplência, já que o trabalhador perde acesso a uma fonte de crédito mais barata e é obrigado a recorrer a empréstimos com taxas significativamente superiores.
Com informações de Gazeta do Povo