Home / Economia / Manobras fiscais seguram dívidas, mas mantêm ameaça de paralisação da máquina pública

Manobras fiscais seguram dívidas, mas mantêm ameaça de paralisação da máquina pública

ocrente 1766076594
Spread the love

Brasília, 18 de dezembro de 2025 – Para evitar falta de recursos e um eventual “shutdown” da administração federal, o governo Luiz Inácio Lula da Silva tem recorrido a ajustes contábeis que afastam, momentaneamente, o impacto de gastos no resultado oficial das contas públicas. Economistas advertem que a medida apenas posterga a crise, enquanto a dívida bruta do país se aproxima de 100% do Produto Interno Bruto (PIB).

Gastos obrigatórios consomem o Orçamento

Despesas como aposentadorias, pensões e salários de servidores já absorvem mais de 90% do orçamento da União. O ritmo de crescimento desses compromissos, intensificado pelo envelhecimento da população e por reajustes do salário mínimo acima da inflação, pressiona ainda mais as finanças públicas.

Como funciona a “maquiagem” contábil

Entre as estratégias adotadas, o governo adiou o pagamento de precatórios – dívidas judiciais da União – e retirou do cálculo da meta fiscal grandes investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Na prática, a despesa ocorre, mas não aparece na contabilidade principal, criando a percepção de que a meta foi cumprida.

Risco de shutdown segue no horizonte

O termo “shutdown” refere-se à paralisação de serviços públicos quando faltam recursos para custear despesas não obrigatórias, como combustível, energia elétrica e materiais de consumo em órgãos federais. Mesmo que salários continuem sendo pagos, a prestação de serviços pode ser interrompida.

Dívida cresce por déficit e juros elevados

Além de gastar mais do que arrecada, o governo lida com juros considerados altos pelo mercado, o que alimenta o aumento da dívida. Os especialistas afirmam que essas taxas atuam como uma bola de neve, ampliando o estoque de débitos a cada ano.

Reformas estruturais são apontadas como solução

Economistas defendem mudanças capazes de frear o avanço das despesas obrigatórias, como a desvinculação de benefícios previdenciários e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) do reajuste do salário mínimo. O Planalto, porém, aposta no crescimento econômico para equilibrar as contas, alternativa classificada como arriscada por analistas.

Por enquanto, as manobras contábeis mantêm a máquina federal funcionando, mas não eliminam a possibilidade de um corte abrupto de serviços caso a dívida continue avançando.

Com informações de Gazeta do Povo