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Lula aposta em visita à Casa Branca para recuperar fôlego político diante de Trump

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne-se nesta quinta-feira (7) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em busca de um trunfo diplomático que reverta a sequência de derrotas sofridas no Senado e a crescente pressão por resultados na área de segurança pública.

Pauta tensa e clima de desconfiança

O encontro ocorre após meses de atrito entre os dois líderes. Desde o primeiro contato pessoal, na Assembleia Geral da ONU em 2025, a “química” esfriou. Lula passou a criticar Trump em público, chamando-o de “imperador” e “autoritário”, e chegou a ironizar que o republicano seria mais cauteloso se conhecesse a “descendência de Lampião”.

Além do tom pouco amistoso, pesa a recente crise diplomática provocada pela prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem em Orlando, em abril. A detenção terminou com a expulsão recíproca de um delegado da Polícia Federal e de um oficial norte-americano.

Tarifas ainda no radar

No campo econômico, o Brasil continua sob ameaça de novas sobretaxas. Apesar de a Suprema Corte norte-americana ter derrubado, em fevereiro, o “tarifaço” adotado por Trump, segue em vigor o adicional de 40% imposto a produtos brasileiros no fim de julho de 2025. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) mantém Brasília sob investigação da Seção 301, mecanismo que autoriza retaliações a práticas consideradas desleais.

Analistas ouvidos veem risco de medidas adicionais a partir do segundo semestre, sobretudo após declarações da secretária de Agricultura, Brooke Rollins, que ligou a JBS a práticas de cartel e ameaça à segurança nacional.

Narcotráfico e rotulagem de facções

A segurança pública é o ponto mais sensível da agenda. Washington pressiona para que o PCC e o Comando Vermelho sejam reconhecidos como organizações narcoterroristas, algo que o Planalto resiste por temer ingerência externa e danos à soberania. Especialistas alertam que a negativa pode reforçar a percepção de leniência do governo no combate ao crime organizado, tema caro ao eleitorado.

Minérios críticos como possível área de consenso

O setor de minerais críticos desponta como chance de anúncio conjunto. Os EUA querem acesso às reservas brasileiras de terras raras para reduzir a dependência da China, desejo reforçado pela compra da mineradora Serra Verde pela norte-americana US Rare Earths. Em Brasília, a Câmara pode aprovar nesta quarta-feira (6) a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que restringe a exportação de minério bruto e incentiva agregação de valor no país, fortalecendo a posição negociadora brasileira.

Para o governo, um eventual memorando sobre transferência de tecnologia ou parceria em cadeias de valor seria apresentado como vitória sem concessões unilaterais.

Encontro de “tudo ou nada”

Consultores avaliam que a visita é arriscada, mas inevitável. Um saldo positivo em comércio ou segurança pode aliviar a pressão doméstica e sinalizar força ao eleitor de centro, considerado decisivo para a reeleição. Por outro lado, qualquer exposição negativa diante de Trump pode ampliar o desgaste político de Lula.

O resultado das conversas na Casa Branca, portanto, tende a influenciar diretamente o cenário eleitoral de 2026 e a relação bilateral nos próximos meses.

Com informações de Gazeta do Povo