Brasília — O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou, na manhã de 6 de maio de 2026, a suspensão dos mandatos de Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC) por dois meses. A decisão, tomada por causa da participação dos parlamentares na ocupação da Mesa Diretora em agosto de 2025, imediatamente provocou reação da oposição, que qualificou a medida como “desproporcional” e “politicamente motivada”.
Repercussão entre aliados
Pré-candidato ao Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o ato “abre um grave precedente contra a liberdade de expressão e o pleno exercício do mandato parlamentar”. Segundo ele, episódios semelhantes já teriam ocorrido “sem punição na mesma dimensão”.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) considerou a sanção “seletiva”. “Quando é contra a direita, a punição vem rápida e pesada; quando é do outro lado, tudo é relativizado”, declarou.
Líder da oposição, Carlos Jordy (PL-RJ) classificou a decisão como “um recado claro de intimidação”. Para o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), o Conselho de Ética foi “transformado em instrumento de perseguição”.
Sargento Gonçalves (PL-RN) questionou o foco em apenas três deputados, lembrando que mais de 100 teriam participado do ato de ocupação. Para ele, trata-se de “criminalizar a direita”.
Posicionamento dos parlamentares suspensos
Marcel van Hattem afirmou que a medida representa “um ataque à liberdade de atuação parlamentar” e que há tentativa de “calar quem pensa diferente”. Marcos Pollon alegou que a suspensão tem “caráter político” e que “não cometeu crime”. Já Zé Trovão classificou a punição como “desproporcional” e disse estar sendo alvo de “perseguição”.
Debate acalorado no plenário
A sessão que durou mais de oito horas foi marcada por discussões intensas entre governistas e oposicionistas. Parlamentares favoráveis à punição defenderam a necessidade de preservar a ordem institucional e evitar novas obstruções físicas aos trabalhos legislativos. O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) relacionou a ocupação a práticas “golpistas”, dizendo que o relatório do Conselho “separa os golpistas dos democratas”.
Próximos passos
Os três deputados podem recorrer da decisão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A palavra final caberá ao plenário da Câmara, que precisará de maioria absoluta — 257 votos — para manter ou revogar a suspensão.
Com informações de Gazeta do Povo