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Lula chega a Washington sob mira dos EUA para conter avanço chinês na América Latina

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reúne nesta quinta-feira, 7 de maio, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. O encontro, adiado diversas vezes por causa da guerra no Oriente Médio, ocorre em meio a novos atritos diplomáticos e a uma estratégia de Washington para reduzir a influência chinesa na América Latina, sobretudo no fornecimento de minerais críticos e na segurança regional.

Clima tenso após troca de sanções diplomáticas

A relação bilateral vem sendo testada desde a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem. Em reação, o governo brasileiro expulsou um funcionário dos EUA em Brasília, depois que as autoridades americanas retiraram as credenciais de um delegado brasileiro em Miami.

O que Trump busca

Segundo analistas em Washington, a prioridade norte-americana é limitar o acesso da China a reservas brasileiras de terras raras. O país sul-americano detém a segunda maior reserva mundial, estimada em 21 milhões de toneladas. Trump deve pressionar por um acordo dentro do Projeto Vault, programa que procura fornecedores “confiáveis” de minerais estratégicos fora da órbita chinesa.

Na área de segurança, os EUA reforçaram a presença militar no Caribe e no Pacífico, classificaram facções criminosas como terroristas e lançaram, em março, a coalizão Escudo das Américas. O Brasil, maior economia da região, ainda não integra essa arquitetura.

Interesses do Palácio do Planalto

Lula pretende negociar a redução de tarifas sobre produtos brasileiros e ampliar a cooperação contra o crime organizado. A delegação inclui o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, indicando que o tema segurança terá peso nas conversas.

Pontos de fricção

  • Trump cobra que o Brasil classifique o Comando Vermelho e o PCC como organizações narcoterroristas; o Planalto teme abrir brecha para intervenção externa.
  • Os EUA ameaçam retaliar países que aprovem impostos ou regulações consideradas danosas a big techs americanas; o debate sobre a regulação das redes sociais no Brasil preocupa Washington.
  • O sistema de pagamentos Pix é visto pela Casa Branca como concorrente de empresas americanas do setor.
  • O Brasil está sob investigação do USTR com base na Seção 301, mecanismo que pode resultar em novas tarifas a exportações brasileiras.

Projetos em Brasília

A Câmara dos Deputados aprovou em 6 de maio um marco legal para minerais críticos, que ainda será analisado pelo Senado. O texto pretende impulsionar a exploração desses insumos, mas inclui salvaguardas para evitar que o país se torne mero fornecedor de baixo valor agregado a potências estrangeiras.

Agenda política e direitos humanos

Washington manifesta preocupação com decisões do Supremo Tribunal Federal que, na visão americana, restringem a liberdade de expressão. A presença do deputado Eduardo Bolsonaro nos EUA, articulando com interlocutores ligados ao Partido Republicano, adiciona componente político às negociações.

Expectativas contidas

Especialistas ouvidos apontam que ambos os governos têm interesse em evitar um rompimento. Os EUA seguem como destino relevante das exportações brasileiras e principal fonte de investimento tecnológico, enquanto o Brasil representa peça central para a estratégia de Washington no continente. A previsão é que o encontro resulte, no máximo, em acordos técnicos nas áreas de energia, meio ambiente e segurança, sem confrontar temas sensíveis como democracia, clima e atuação chinesa.

Com informações de Gazeta do Povo