Brasília — De olho na disputa presidencial de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a se apresentar como antagonista do establishment político e econômico. A mudança de tom, adotada em maio, busca reduzir o desgaste de imagem do governo e disputar eleitores que hoje se identificam com a retórica de oposição às elites, tradicionalmente explorada por Flávio Bolsonaro (PL).
O que Lula chama de establishment
Lula tem direcionado críticas a bilionários e ao setor financeiro, ressuscitando o discurso de “nós contra eles” para reforçar sua posição como defensor dos trabalhadores. O termo establishment, usado para designar grupos que concentram poder político e econômico, passou a ser frequente em seus pronunciamentos.
A definição de sistema para Flávio Bolsonaro
Pré-candidato da direita, o senador Flávio Bolsonaro afirma que o “sistema” abrange setores do funcionalismo público, artistas, parte da mídia e o Judiciário — instituições que, segundo ele, agem contra pautas conservadoras e se beneficiam de recursos estatais.
Contradições apontadas pela oposição
Parlamentares contrários ao governo, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Sergio Moro (União-PR), contestam a tentativa de Lula de se apresentar como outsider. Eles lembram que o PT já ocupa o Palácio do Planalto em seu quinto mandato e mantém alianças consolidadas em diferentes esferas de poder, argumento usado para classificá-lo como parte integrante do próprio sistema que critica.
Objetivo eleitoral da nova narrativa
A estratégia petista pretende transformar a eleição de 2026 em um plebiscito entre “inclusão social” e “privilégios”. Ao adotar o discurso antissistema, Lula tenta reconectar sua imagem à base de trabalhadores e beneficiários de políticas sociais, além de ocupar um terreno simbólico que vinha sendo dominado pela direita.
A poucos meses do início oficial da campanha, tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro buscam consolidar-se como representantes de forças contrárias ao establishment, sinalizando que a disputa de 2026 deve girar em torno de quem, de fato, fala em nome dos eleitores insatisfeitos.
Com informações de Gazeta do Povo