O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) deu sinal verde, nesta quinta-feira (18 de abril de 2026), para a abertura do processo de recuperação judicial do Grupo Fictor. A decisão, assinada pela juíza Fernanda Perez Jacomini, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, beneficia as controladas Fictor Holding e Fictor Invest, que declararam passivo superior a R$ 4 bilhões.
Com a aceitação do pedido, as empresas terão 60 dias para apresentar um plano de reestruturação aos credores. Ao mesmo tempo, ficaram suspensas por 180 dias todas as cobranças e execuções de dívidas contra o grupo.
No despacho, a magistrada justificou que a medida busca “proteger os credores” diante da “crise de liquidez severa” enfrentada pela companhia, marcada por resgates que somam R$ 3 bilhões. Segundo Jacomini, eventual rejeição da recuperação poderia levar à insolvência do conglomerado e prejudicar o conjunto de credores.
O pedido de recuperação foi protocolado em fevereiro. À época, a Justiça já havia concedido liminar para impedir retenções, arrestos, penhoras e sequestros de bens. Informações do processo apontam mais de 13 mil clientes e credores com recursos aplicados no grupo.
Em 17 de novembro de 2025, a Fictor Holding Financeira chegou a anunciar a intenção de adquirir o Banco Master por R$ 3 bilhões, em parceria com investidores dos Emirados Árabes Unidos que declararam ativos de mais de US$ 100 bilhões. O negócio não se concretizou. O ex-proprietário do banco, Daniel Vorcaro, foi preso em março de 2026 sob suspeita de lavagem de dinheiro, corrupção, ameaças e fraudes financeiras.
Possíveis questionamentos envolvendo outras empresas ligadas ao Grupo Fictor, destacou a juíza, serão analisados ao longo do processo de recuperação judicial.
Com informações de Gazeta do Povo