Nesta segunda-feira (4), o governo federal colocou em operação o Desenrola 2.0, nova etapa do programa de renegociação de dívidas criado para reduzir a inadimplência no país e tentar recuperar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em ano pré-eleitoral.
Como funciona a nova rodada
A iniciativa promete abatimentos que podem chegar a 90% do valor devido, além de condições de pagamento facilitadas. O público-alvo são cerca de 80 milhões de brasileiros que atualmente têm o nome negativado e enfrentam restrições de crédito.
Desempenho da primeira edição
Lançado em 2023, o Desenrola original renegociou débitos de 15 milhões de pessoas, mas não conteve o endividamento agregado. Dados do Banco Central indicam que, para cada real quitado naquela fase, surgiram R$ 1,15 em novas dívidas, resultado que levanta dúvidas sobre a eficácia de repetir a estratégia.
Críticas: risco moral e impacto nas contas públicas
Especialistas apontam o chamado risco moral: a possibilidade de que renovações frequentes de programas de perdão encorajem consumidores a atrasar pagamentos na expectativa de futuros benefícios. Há ainda preocupação com o efeito indireto sobre as finanças públicas. Quando o governo eleva gastos, precisa oferecer juros mais altos para financiar sua dívida, o que encarece o crédito e pressiona o orçamento das famílias.
Bloqueio a apostas online
Entre as novidades, quem aderir ao Desenrola 2.0 ficará impedido de utilizar plataformas de apostas esportivas, as bets. A restrição tem o objetivo de evitar que o dinheiro economizado na renegociação seja comprometido com jogos de azar.
O Ministério da Fazenda não informou metas de adesão, mas sinalizou que novos balanços serão divulgados periodicamente para acompanhamento dos resultados.
Com informações de Gazeta do Povo