Home / Política / Sequência de derrotas expõe distanciamento do Centrão e fragiliza articulação do Planalto

Sequência de derrotas expõe distanciamento do Centrão e fragiliza articulação do Planalto

ocrente 1777959278
Spread the love

A rejeição do advogado Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada de vetos presidenciais estratégicos, ambas na última semana, acenderam o sinal de alerta no Palácio do Planalto e indicaram mudança de rota do Centrão em relação ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os dois episódios ocorreram sob a condução do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e envolveram temas de alto interesse do Executivo. Analistas apontam que o bloco de centro passou a adotar postura mais autônoma, testando limites do governo sem, porém, romper formalmente com a base.

Emendas são liberadas, mas apoio não vem

Para garantir a aprovação de Messias, o governo empenhou cerca de R$ 12 bilhões em emendas parlamentares. O valor recorde, contudo, não se converteu em votos suficientes. “A liberação de recursos virou apenas o pedágio para iniciar a conversa”, afirma o cientista político Emerson Masullo, da Universidade de Brasília (UnB). Segundo ele, com o avanço das emendas impositivas, o Planalto perdeu capacidade de controle da pauta legislativa.

Na avaliação de Masullo, o Centrão mira o cenário eleitoral de 2026 e utiliza derrotas pontuais do governo como “proteção” política diante do eleitorado de centro-direita. “Não se trata de derrubar o governo, mas de manter uma crise administrável que valorize o passe do bloco em futuras coalizões”, explica.

Articulação pulverizada

O analista político Alexandre Bandeira vê falhas na estratégia de articulação desde o início do mandato. Para ele, negociações têm ocorrido diretamente com as presidências da Câmara e do Senado, deixando as lideranças formais do governo em segundo plano. “A sabatina de Messias foi um laboratório: mesmo após ampla liberação de verbas, o Planalto encontrou dificuldade extrema para assegurar votos”, avalia.

Efeito calendário

Com a aproximação do período eleitoral, tende a haver esvaziamento de sessões no Congresso, reduzindo a margem de manobra do Executivo. Parlamentares admitem, nos bastidores, que não há rompimento, mas sim “recalibragem” da relação: o Centrão mantém cargos e influência nos ministérios que entregam recursos a municípios, porém se distancia em votações de maior desgaste fiscal ou ideológico.

Para Masullo, a chamada “lua de mel utilitária” chegou ao fim. “O bloco se afasta no discurso público, mas preserva suas posições no governo. Emendas e cargos garantem sobrevivência, mas já não asseguram apoio irrestrito à agenda presidencial”, conclui.

A tendência, segundo interlocutores do Congresso, é de novas provas de força nos próximos meses, especialmente em temas de impacto orçamentário, enquanto deputados e senadores ajustam estratégias para a disputa de 2026.

Com informações de Gazeta do Povo