Washington (EUA) – O conselheiro sênior da Casa Branca para Comércio e Manufatura, Peter Navarro, afirmou nesta segunda-feira (4) que frigoríficos brasileiros reagiram às tarifas impostas pelos Estados Unidos em 2025 redirecionando cargas de carne bovina para a China e, ao mesmo tempo, pressionando discretamente o governo do então presidente Donald Trump.
Navarro deu a declaração em coletiva no Departamento de Justiça (DOJ), na capital americana, convocada para anunciar o reforço da investigação antitruste contra as quatro maiores processadoras de carne do país: JBS USA, National Beef (controlada pela brasileira Marfrig), Tyson Foods e Cargill.
“Pressão silenciosa” após tarifa de 50%
Segundo o assessor, a sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros decretada pela Casa Branca no ano passado provocou uma reação imediata do que ele classificou como “lobby da carne” do Brasil. “Quando as tarifas foram impostas, houve uma ameaça velada à Casa Branca, e parte da carne que deveria chegar às prateleiras dos EUA acabou enviada para o mercado chinês”, relatou.
Para Navarro, o episódio vai além de disputas sobre preços. “Trata-se também de segurança nacional e de influência estrangeira em nossa cadeia de suprimentos”, declarou.
Doações políticas na mira
O conselheiro citou nominalmente a JBS e acusou a companhia de investir somas “de milhões de dólares” em campanhas políticas nos EUA, prática que, segundo ele, contribuiu para a manutenção do elevado nível de concentração do setor.
Dados apresentados pelo governo apontam que JBS, Marfrig/National Beef, Tyson Foods e Cargill controlam 85% do processamento de carne bovina no país. A JBS sozinha responde por cerca de um quarto desse mercado.
Investigação amplia alcance
O procurador-geral interino, Todd Blanche, informou que a investigação iniciada em novembro de 2025 já revisou mais de 3 milhões de documentos e ouviu centenas de pecuaristas, produtores e processadores. “A estrutura atual e o alto grau de concentração sugerem práticas anticompetitivas”, afirmou.
Procuradas, JBS e Marfrig não se manifestaram até a publicação desta reportagem. O conteúdo será atualizado caso haja posicionamento.
Com informações de Gazeta do Povo