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Governo destina R$ 50 milhões para Escola Nacional de Hip-Hop em meio a déficit fiscal

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O Ministério da Educação (MEC) vai investir R$ 50 milhões, entre 2026 e 2027, para pôr em prática a Escola Nacional de Hip-Hop (H2E), programa lançado em março que pretende levar rap, grafite e breaking às salas de aula da rede pública.

Segundo a pasta, a iniciativa busca “inovação curricular, maior engajamento dos estudantes e redução das desigualdades educacionais” ao incorporar elementos da cultura hip-hop como ferramentas pedagógicas. A proposta está vinculada às Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que determinam o ensino de história e cultura afro-brasileira, africana e indígena na educação básica.

Artistas e agentes culturais atuarão como educadores, integrando saberes populares aos conteúdos acadêmicos. A adesão das secretarias de ensino será voluntária, mediante assinatura de termo específico. A meta do governo é alcançar até 45 milhões de alunos, além de formar professores e gestores para aplicar a metodologia no currículo.

Críticas e cenário fiscal

O anúncio acontece em meio a dificuldades nas contas públicas. Dados do Tesouro Nacional e do Banco Central indicam déficit primário em torno de 0,4% a 0,5% do PIB e dívida bruta de 79,2% do PIB, com projeção de chegar a 84% ainda este ano.

Especialistas questionam a prioridade do gasto. Para Anamaria Camargo, diretora executiva do Instituto Livre para Escolher, o programa está “desconectado da realidade das escolas”, que enfrentam altos índices de analfabetismo funcional no ensino médio. Ela também aponta ausência de métricas claras para medir resultados.

Giuliano Miotto, presidente do Instituto Liberdade e Justiça (IJL), vê “inversão de prioridades” diante de lacunas em alfabetização e infraestrutura escolar. “Cada real aplicado nessa iniciativa deixa de ser investido na recuperação de competências fundamentais em Matemática e Português”, afirma.

O MEC defende que, embora o valor represente pequena fração dos R$ 268,2 bilhões previstos no orçamento da pasta para 2026, a H2E complementa políticas de valorização da diversidade cultural e de combate às desigualdades.

Com informações de Gazeta do Povo