A escalada do preço do petróleo para a faixa de US$ 100, somada à ampliação dos gastos federais sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acendeu o alerta de risco de estagflação no Brasil. O cenário, apontado por analistas em 24 de abril de 2026, combina inflação elevada com crescimento econômico fraco, exigindo juros altos em meio a uma economia já morna.
O que é estagflação?
Estagflação ocorre quando a inflação avança enquanto a atividade econômica estagna. Em situações assim, o Banco Central tende a manter ou elevar a taxa básica de juros para conter preços, o que pode frear ainda mais o Produto Interno Bruto (PIB) e dificultar a geração de empregos.
Choque do Oriente Médio pressiona combustíveis
O conflito envolvendo Israel, Irã e Estados Unidos impulsionou as cotações internacionais do petróleo. No Brasil, o reflexo imediato é o encarecimento de gasolina e diesel. Como o transporte rodoviário responde pela maior parte da logística de mercadorias, o aumento do diesel eleva o custo do frete e, em cadeia, o preço dos alimentos e de outros produtos básicos.
Proteções atuais da economia brasileira
O país dispõe hoje de três fatores de contenção contra choques externos:
- superávit na balança de petróleo, pois exporta mais do que importa;
- reservas internacionais bilionárias, usadas para atenuar oscilações cambiais;
- juros reais elevados, que atraem capital estrangeiro.
Esses elementos oferecem alguma blindagem, mas podem perder eficácia caso as contas públicas piorem.
Pressão sobre as contas públicas
Economistas criticam a expansão fiscal adotada pelo governo federal para custear programas sociais, reajustes de benefícios e novas políticas, como o incremento do Bolsa Família e do programa Pé-de-Meia. O aumento de despesas ocorre em ritmo superior ao da arrecadação, o que tende a ampliar a dívida pública.
Com mais dinheiro circulando, a inflação pode ganhar fôlego, obrigando o Banco Central a sustentar juros elevados por mais tempo. O custo do crédito se mantém alto, travando investimentos e consumo, fatores essenciais para o crescimento.
Perspectivas para 2026
A equipe econômica do governo aposta que os novos gastos vão estimular a demanda interna e, consequentemente, o PIB. O mercado, porém, teme o oposto: se a inflação não ceder, o Banco Central pode ser forçado a voltar a subir a Selic, aumentando as chances de recessão combinada com preços altos — quadro típico de estagflação.
Por enquanto, incertezas sobre o desfecho do conflito no Oriente Médio e sobre o compromisso fiscal de Brasília mantêm investidores e consumidores em compasso de espera.
Com informações de Gazeta do Povo