Brasília — 25/05/2026. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, manifestou nesta segunda-feira (25) preocupação com o projeto de lei do senador Renan Calheiros (MDB-AL) que pretende usar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para cobrir prejuízos de fundos de previdência de estados e municípios que aplicaram recursos no Banco Master.
O que diz a proposta
O texto apresentado por Calheiros determina que o FGC ressarça integralmente as perdas sofridas por entes públicos que investiram na instituição. O senador argumenta que, em caso de má gestão ou desvios, servidores e depositantes não devem arcar com o rombo.
Crítica do Banco Central
Para Galípolo, a medida distorce a finalidade do FGC, criado para proteger “o pequeno poupador leigo” até o limite de R$ 250 mil por CPF. Segundo ele, gestores profissionais responsáveis por fundos de pensão são remunerados para avaliar riscos e não deveriam contar com um mecanismo concebido para cidadãos comuns.
Como funciona o FGC
O fundo é abastecido por contribuições dos próprios bancos e atua como um seguro contra quebras de instituições financeiras. Atualmente, a cobertura máxima é de R$ 250 mil por depositante. Não há recursos públicos envolvidos.
Envolvimento do Banco Master
Vários fundos de previdência estaduais e municipais são investigados por terem aplicado valores no Banco Master, suspeito de irregularidades. No Congresso, a chamada “emenda Master” já tentou elevar o teto de garantia do FGC para R$ 1 milhão, o que beneficiaria investidores de maior porte na instituição.
Possíveis impactos
Estimativas apontam que a extensão da garantia poderia gerar um rombo superior a R$ 57 bilhões ao FGC, caso a cobertura desencadeie ressarcimentos em cadeia. Especialistas também temem que a proteção seja usada como peça publicitária, induzindo investidores a acreditar que aplicações de alto risco são plenamente seguras.
Com informações de Gazeta do Povo