O procurador-geral da República, Paulo Gonet, emitiu parecer favorável à progressão para o regime aberto do programador Walter Delgatti Neto, conhecido como “hacker de Araraquara”. Condenado a oito anos e três meses de prisão, Delgatti já ultrapassou 20% do tempo de pena necessário para a mudança de regime.
Para chegar a esse cálculo, Gonet considerou o indulto natalino editado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2025, que prevê redução de parte da pena para detentos que tivessem cumprido ao menos um quinto da condenação até o Natal daquele ano. Além disso, o detento obteve redução de 100 dias por desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Segundo o parecer, em 26 de abril de 2026, Delgatti alcançou 582 dias de cumprimento de pena — exatamente 20% do total — atendendo ao requisito objetivo para a progressão.
Comportamento carcerário considerado “ótimo”
Gonet também avaliou os requisitos subjetivos, baseando-se em relatório da Penitenciária Dr. José Augusto César Salgado, em Tremembé (SP). O documento aponta “ótimo comportamento carcerário” do detento. O PGR, contudo, solicitou que a unidade envie relatórios sobre as leituras realizadas e cursos concluídos por Delgatti.
Motivo da condenação
O “hacker de Araraquara” foi condenado por invadir o Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP), sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e inserir um falso mandado de prisão contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator do processo criminal e da atual execução da pena.
Situação de Carla Zambelli
No mesmo processo, a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL) também foi condenada. Ela aguarda, na Corte Suprema de Cassação da Itália, o julgamento de recurso contra sua extradição, marcado para 22 de maio. Zambelli ainda enfrenta decisão relacionada a episódio em que, armada, perseguiu um homem em São Paulo.
Com o parecer da Procuradoria-Geral da República, a decisão final sobre a progressão de Delgatti caberá ao ministro Alexandre de Moraes, responsável pela execução da pena no STF.
Com informações de Gazeta do Povo