Os Correios interromperam, até 31 de julho, a execução de parte do plano de reestruturação que previa o encerramento de agências, alterações na remuneração de atendentes e outras medidas de enxugamento. A decisão foi comunicada em carta enviada à Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) e ocorre após forte pressão sindical.
O documento é assinado pelo presidente da estatal, Emanoel Rondon, e pelos diretores de Gestão de Pessoas e de Operações. Além da suspensão, a empresa aceitou abrir uma mesa de negociação com representantes dos trabalhadores e do governo federal para discutir todos os pontos do processo de reestruturação.
Medidas temporariamente suspensas
Até o fim do mês ficam paralisadas:
- fechamento de agências e centros de distribuição (SDDs);
- roteirização de entregas;
- extinção do adicional de atendimento em guichê (AAG) e do benefício conhecido como quebra de caixa;
- supressão de unidades operacionais já em andamento.
Também será reavaliado o sistema de dimensionamento da distribuição e revisados os casos em que a retirada de benefícios já foi aplicada.
Crise financeira
A suspensão acontece em meio a uma grave crise nas contas da estatal. Os Correios fecharam 2025 com prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões e somam déficit de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Para reverter o quadro, o plano de reestruturação 2026-2027 está ancorado em três frentes:
- corte de despesas de pessoal e administrativas;
- otimização de ativos;
- renegociação e captação de recursos.
Entre as ações mantidas estão a venda de imóveis e outras medidas de contenção de gastos. A direção da empresa ainda negocia um novo empréstimo de R$ 7 bilhões, após ter solicitado aval do Tesouro Nacional para operação de crédito de R$ 12 bilhões no ano passado.
Fechamento de unidades e PDV
O encerramento de unidades é visto como essencial para a recuperação financeira. Do universo de 1.000 agências e centros previstos para fechamento, 256 já foram desativados, com expectativa de economia de R$ 2,1 bilhões. A suspensão afeta também o novo Programa de Demissão Voluntária (PDV), voltado aos cerca de 7 mil funcionários lotados nesses locais. A primeira edição do programa em 2026 teve adesão de 3.075 empregados, abaixo da meta de 10 mil, gerando economia estimada de R$ 700 milhões.
Negociações e mobilização
Os sindicatos cancelaram a paralisação marcada para 7 de julho, mas mantiveram o estado de greve. A mesa de negociação, que deve iniciar ainda nesta semana, contará com representantes da empresa, da Fentect e da Secretaria-Geral da Presidência da República, que atuará como mediadora.
Durante o período de discussão, as entidades poderão apresentar sugestões e apontar problemas na implementação do plano. Segundo a estatal, todas as contribuições serão analisadas tecnicamente.
Com informações de Gazeta do Povo