Brasília, 06 de março de 2026 – A escalada da guerra no Irã e a inflação brasileira acima das projeções do mercado reduziram o espaço para o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciar o ciclo de queda da taxa Selic na reunião de março.
Pressão do petróleo e do câmbio
Localizado próximo ao Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, o Irã tornou-se epicentro de tensão que elevou o preço internacional do barril. O encarecimento do petróleo encosta nos custos de combustíveis e frete, repassando-se a produtos e serviços no Brasil. Paralelamente, investidores buscam refúgios mais seguros, retiram capital de mercados emergentes e pressionam o dólar, o que também alimenta a inflação doméstica.
Inflação de serviços preocupa
Antes mesmo do agravamento do conflito, a prévia da inflação oficial (IPCA-15) já havia avançado 0,84% em fevereiro, superando as estimativas. O destaque negativo ficou com a inflação de serviços – que engloba itens como mensalidades escolares e alimentação fora de casa – indicando resistência dos preços no cotidiano dos consumidores.
Expectativa de corte menor – ou adiamento
Até o fim de fevereiro, a maior parte dos analistas projetava redução de 0,50 ponto percentual na Selic, atualmente em 15% ao ano. Com o aumento das incertezas, as apostas passaram a contemplar corte mais tímido, de 0,25 ponto, ou até a manutenção da taxa no patamar atual.
Risco de estagflação no radar
Economistas alertam que, caso o dólar dispare e o petróleo ultrapasse a marca de US$ 100, o Banco Central poderá interromper o ciclo de afrouxamento monetário e até elevar novamente os juros para conter a desvalorização do real e segurar a alta dos preços – cenário que reacende o temor de estagflação, combinação de atividade fraca, inflação resistente e desemprego elevado.
O Copom reúne-se na segunda quinzena de março para deliberar sobre a Selic, tendo como principal missão manter a inflação dentro da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional.
Com informações de Gazeta do Povo