O Banco de Brasília (BRB) confirmou nesta terça-feira (14/04/2026) que avalia um amplo programa de redução de despesas, que inclui o fechamento de agências e a eliminação de áreas de baixa rentabilidade, para compensar as perdas provocadas por operações com o Banco Master.
A instituição enfrenta uma crise desde que veio à tona a venda, pelo banqueiro preso Daniel Vorcaro, de carteiras de crédito fraudulentas que ultrapassam R$ 12 bilhões. O impacto definitivo ainda é desconhecido, uma vez que outras transações podem ampliar o rombo, e a auditoria contratada não tem prazo definido para concluir o trabalho.
“Vamos analisar caso a caso. Onde houver negócios positivos, permaneceremos. A prioridade é manter bom atendimento e conforto aos clientes”, declarou o presidente do BRB, Nelson de Souza, ao jornal Correio Braziliense.
Agências na mira e foco em saúde financeira
O BRB opera em diversos estados e administra a folha de pagamento de servidores públicos. Devem ser preservadas, por ora, as operações em Tocantins e nas capitais João Pessoa (PB) e Maceió (AL). Segundo Souza, as medidas de enxugamento visam adequar o banco às exigências contábeis do Banco Central e fortalecer governança, operação, tecnologia e inovação.
Busca por reforço de capital
Paralelamente, o Governo do Distrito Federal intensifica esforços para capitalizar o banco. A governadora Celina Leão (PP-DF) esteve em São Paulo pela segunda vez em busca de investidores. O fundo Quadra Capital manifestou interesse em adquirir cerca de R$ 15 bilhões em ativos ligados ao Banco Master, o que reduziria a exposição do BRB.
O Executivo distrital também negocia um aporte de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Contudo, as garantias oferecidas ainda não foram consideradas suficientes. “Precisamos melhorar a oferta de garantias, pois não há tempo hábil para criar um fundo de investimento imobiliário”, afirmou Souza. O FGC, que recentemente destinou até R$ 50 bilhões a outras operações relacionadas ao Master, sinalizou que só participará se houver um consórcio de bancos para dividir o risco.
As discussões prosseguem sem prazo definido para conclusão, enquanto o BRB acelera o plano de cortes para preservar sua saúde financeira e evitar uma eventual federalização.
Com informações de Gazeta do Povo