Localizado entre Israel, Jordânia e Cisjordânia, o Mar Morto perdeu cerca de um terço de sua área nos últimos 50 anos, segundo levantamento divulgado pela emissora CNN na semana passada. O recuo médio da lâmina d’água é de aproximadamente 1,2 metro por ano, alimentando o receio de que a região repita o colapso ambiental já visto no Mar de Aral, na Ásia Central.
O principal alimentador do Mar Morto, o Rio Jordão, além de seu afluente Yarmouk, sofre forte redução de vazão desde a construção de barragens e desvios executados por Israel, Síria e Jordânia para abastecimento doméstico e irrigação. A extração mineral agrava o problema: água da parte norte é bombeada para reservatórios onde evapora ao sol, deixando salmoura usada na produção de potássio e magnésio.
Secas mais longas e intensas completam o quadro. De acordo com a empresa holandesa de sustentabilidade Green Earth, o nível da água cai em torno de um metro por ano, enquanto o solo afunda 15 centímetros anualmente. A consultoria calcula que seriam necessários 160 bilhões de galões de água por ano para manter o volume atual, mas apenas 10% desse total chega hoje ao lago salgado.
Projeto do “Canal Mar Vermelho–Mar Morto” parado
Em 2013, Israel, Autoridade Palestina e Jordânia assinaram um memorando de entendimento para transferir até 600 milhões de metros cúbicos de água do Mar Vermelho ao Mar Morto. O ex-ministro da Água jordaniano Hazim El-Naser, hoje presidente do Fórum de Água do Oriente Médio, disse à CNN que o plano poderia conter o encolhimento sem grandes impactos. Entretanto, o alto custo e a falta de cooperação regional congelaram o projeto.
A comparação com o Mar de Aral funciona como alerta. Entre as décadas de 1960 e 1990, o desvio dos rios Amu Dária e Syr Dária para irrigar plantações de algodão fez o lago, localizado entre Cazaquistão e Uzbequistão, perder cerca de 90% da área original, transformando-se em deserto e gerando graves problemas socioeconômicos.
Sem consenso político e investimentos robustos, especialistas advertem que o Mar Morto seguirá diminuindo, elevando o risco de colapso ambiental semelhante ao registrado na Ásia Central.
Com informações de Gazeta do Povo