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Brasileiro só começa a receber para si em 1º de junho; impostos consumiram 150 dias de trabalho em 2026

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O contribuinte brasileiro precisou trabalhar 150 dias em 2026 — até 30 de maio — apenas para quitar tributos municipais, estaduais e federais. O cálculo, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), indica que a carga tributária efetiva média chegou a 41,1% da renda no período.

Classe média é a mais afetada

Segundo o levantamento, quem ganha entre R$ 3 mil e R$ 10 mil mensais enfrenta uma alíquota efetiva de 43,01%. Nesse grupo, o “dia da liberdade de impostos” só chega em 6 de junho, totalizando 157 dias de trabalho. Para quem recebe até R$ 3 mil, a taxa é de 39,18% (134 dias, até 23 de maio). Rendimentos acima de R$ 10 mil voltam à média nacional, com 41,1% (150 dias).

Evolução da carga tributária

Após recuar de 41,8% em 2019 para 40,82% em 2021, o peso dos tributos voltou a subir a partir de 2023:

2003 – 36,98%
2008 – 40,51%
2013 – 41,10%
2019 – 41,80%
2021 – 40,82%
2024 – 40,71%
2025 – 40,82%
2026 – 41,10%

Dias trabalhados desde 1986

O estudo mostra avanço expressivo nas últimas quatro décadas. Em 1986, eram exigidos 82 dias de trabalho; em 2001, 130; e, desde 2012, o número oscila entre 149 e 153 dias, chegando novamente a 150 dias em 2026.

Por que a conta subiu

Entre maio de 2025 e abril de 2026, o IBPT atribui o aumento a sete fatores principais:

  • ICMS mais alto sobre produtos importados em vários estados;
  • “Taxa das blusinhas” – Imposto de Importação de 20% para compras internacionais de até US$ 50 (vigente até 13 de junho de 2026);
  • Elevação do IOF em operações de crédito, câmbio, seguros e previdência privada;
  • Tributação de apostas esportivas e jogos on-line, com alíquota sobre a receita bruta subindo de 12% para 15%;
  • Alta da CSLL para fintechs e instituições financeiras;
  • Aumento do IR sobre Juros sobre Capital Próprio, de 15% para 17,5%;
  • Imposto de Importação mais alto para itens de tecnologia, com elevação de até 7,2 pontos percentuais.

“Retorno não acompanha a arrecadação”

Para o presidente-executivo do IBPT, João Eloi Olenike, o dado mostra que, mesmo depois de décadas de forte arrecadação, os brasileiros ainda não percebem serviços públicos na mesma proporção. Ele também lembra que 2025 foi ano bissexto, o que altera a contagem de dias, e que os resultados de 2020 a 2022 sofreram influência direta da pandemia.

A pesquisa do IBPT é atualizada anualmente e considera todos os tributos sobre renda, consumo e patrimônio cobrados pelos três níveis de governo.

Com informações de Gazeta do Povo