A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) julga nesta quarta-feira (13) o recurso apresentado pela Química Amparo Ltda., fabricante dos produtos Ypê, contra a suspensão de 23 itens cujos lotes terminam em “1”. A lista reúne desinfetantes, detergentes e lava-roupas.
A interrupção da comercialização foi determinada após inspeção sanitária realizada entre 27 e 30 de abril, desdobramento de um processo aberto em outubro de 2025. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União na última quinta-feira (7).
O relator do recurso é o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Pinheiro Safatle, indicado para o cargo em dezembro de 2024 e aprovado pelo Senado em agosto de 2025.
Ações corretivas apresentadas
Na terça-feira (12), representantes da Ypê entregaram à agência um relatório com a execução das 239 ações corretivas exigidas pela fiscalização. O documento servirá de base para a análise do pedido de reversão da suspensão.
Repercussão política
O caso ganhou contornos políticos após usuários de redes sociais, majoritariamente alinhados à direita, acusarem a Anvisa de perseguição enquanto a agência apontava risco de contaminação por superbactéria. Vídeos circulando na internet mostraram consumidores usando, e até fingindo ingerir, detergentes da marca.
Entre os políticos que se manifestaram está o vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL). Em vídeo, ele utilizou um detergente Ypê, criticou a medida e incentivou a compra dos produtos: “Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com essa empresa 100% brasileira”.
Em resposta, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou o Ministério Público e a Secretaria Nacional do Consumidor para apurar a conduta do vice-prefeito. A vereadora paulistana Amanda Paschoal, coautora das representações, afirmou que “existe um surto coletivo da direita em defesa dos produtos Ypê”.
A sessão da diretoria colegiada da Anvisa está prevista para a tarde desta quarta-feira.
Com informações de Gazeta do Povo