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Imposto zerado para compras de até US$ 50 tenta frear maior desgaste de Lula, apontam pesquisas

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Brasília, 13 de maio de 2026 – A revogação da chamada “taxa das blusinhas”, oficializada hoje por medida provisória que elimina o imposto de importação sobre encomendas de até US$ 50, ocorre depois de sucessivas sondagens apontarem a cobrança como a decisão mais impopular do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Pesquisa indica rejeição recorde

Levantamento AtlasIntel/Bloomberg divulgado em março mostrou que 62% dos brasileiros consideraram a taxação um erro do governo, contra 30% que a avaliaram positivamente e 8% que não souberam responder. O índice de desaprovação ultrapassou temas como a proposta de fiscalização ampliada do PIX (59% de reprovação), a retirada de estatais de programas de privatização (51%) e o novo arcabouço fiscal (45%).

O instituto entrevistou 5.028 pessoas entre 18 e 23 de março, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.

Do incentivo ao recuo

Conhecido popularmente como “taxa das blusinhas”, o tributo passou a valer em 2024, dentro do programa Remessa Conforme, e afetava compras de baixo valor feitas em plataformas estrangeiras, sobretudo asiáticas, de roupas, acessórios e itens populares.

O objetivo declarado era reforçar a arrecadação federal e equilibrar a concorrência com o varejo nacional, pleito antigo de parte da indústria e do comércio brasileiros. Entretanto, a medida atingiu principalmente consumidores de classe média e baixa que passaram a utilizar com frequência sites internacionais após a popularização das compras on-line.

Nos bastidores, auxiliares do Planalto reconheciam que a repercussão negativa se tornara um dos principais problemas de imagem do governo. A escalada da desaprovação de Lula nas últimas pesquisas contribuiu para a decisão de voltar atrás.

A reação dos setores envolvidos

Entidades empresariais que defendiam a cobrança lamentaram a mudança, classificando-a como “retrocesso” por entenderem que haverá nova disparidade competitiva com o varejo local. Já o governo ressalta que a isenção parcial não interfere em outras faixas de tributação e que continuará monitorando o impacto fiscal da medida.

Com o ato desta quarta-feira (13), compras internacionais até US$ 50 voltam a ser liberadas do imposto de importação. A medida provisória entra em vigor imediatamente, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para não perder validade.

Com informações de Gazeta do Povo