Brasília, 17 de julho de 2026 – O governo brasileiro assinou, nesta sexta-feira (17), o acordo de criação da Organização Internacional para Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO, na sigla em inglês), lançada durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC), realizada em Xangai, na China.
A nova entidade reúne 29 países fundadores e é liderada por Pequim, que a apresenta como um fórum multilateral para estabelecer padrões globais de governança da tecnologia. Durante a cerimônia, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, defendeu que a inteligência artificial “não deve ser um jogo exclusivo de poucos países e empresas” e propôs uma regulamentação baseada em “cooperação internacional, abertura e benefícios compartilhados”.
Foco em inclusão e segurança
Em comunicado conjunto, os signatários afirmam que a WAICO pretende promover o desenvolvimento de sistemas de IA “centrados no ser humano”, seguros e inclusivos, além de fomentar a cooperação científica, o intercâmbio de conhecimento e a harmonização de marcos regulatórios.
Lista de integrantes
Entre os 29 membros iniciais estão nações apontadas por organizações internacionais como regimes autoritários ou com déficits democráticos, como China, Rússia, Belarus, Cuba, Venezuela e Nicarágua, além de Myanmar, Laos, Cazaquistão e Uzbequistão. Compõem ainda o grupo África do Sul, Argélia, Brasil, Camboja, Camarões, Congo, Etiópia, Indonésia, Lesoto, Malásia, Moçambique, Omã, Paquistão, Quênia, Quirguistão, Senegal, Sérvia, Tajiquistão e Zâmbia.
Participação brasileira
Segundo nota divulgada pelos ministérios da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), das Relações Exteriores (MRE) e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a adesão “integra o acompanhamento dos debates internacionais sobre governança da inteligência artificial e a participação em mecanismos multilaterais de cooperação tecnológica”.
Disputa por influência
A entrada do Brasil ocorre em meio à crescente competição entre China e Estados Unidos pela liderança na área de IA e pela definição de normas internacionais para a tecnologia. Enquanto Washington articula parcerias com aliados ocidentais e restringe a exportação de chips avançados, Pequim amplia sua presença sobretudo entre países do chamado Sul Global por meio de iniciativas multilaterais como a WAICO.
Com o acordo firmado em Xangai, a organização passa a funcionar como mais um palco da disputa de influência geopolítica em torno da inteligência artificial.
Com informações de Gazeta do Povo