O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pediu ao Ministério da Fazenda a liberação imediata de R$ 7,25 bilhões para reforçar as linhas de crédito voltadas às companhias brasileiras prejudicadas pela sobretaxa de 25% aplicada pelos Estados Unidos a produtos nacionais.
O ofício foi encaminhado à Secretaria do Tesouro Nacional na quinta-feira (17) e prevê que o montante seja transferido ao Fundo de Garantia à Exportação (FGE), responsável por financiar o Plano Brasil Soberano. Segundo o BNDES, trata-se apenas da antecipação de recursos já previstos no programa, criado em 2025 após a primeira rodada de tarifas anunciada pelo então presidente norte-americano Donald Trump.
Demanda supera R$ 18 bilhões
Desde o início de 2026, o banco recebeu R$ 18,4 bilhões em pedidos de financiamento dentro do plano, acima da capacidade atual. O Brasil Soberano conta com até R$ 15 bilhões do Tesouro e R$ 6 bilhões aportados pelo próprio BNDES, totalizando R$ 21 bilhões em crédito.
Com cerca de R$ 7,75 bilhões já repassados anteriormente, o BNDES agora requer a segunda parcela de R$ 7,25 bilhões para atender às solicitações. Alimentos, medicamentos, fertilizantes, minerais críticos e máquinas e equipamentos são, até o momento, os setores que mais buscaram apoio.
Fundo ampliado por medida provisória
O FGE, tradicionalmente usado para garantir exportações, teve sua finalidade ampliada em março por medida provisória, permitindo financiar empresas afetadas tanto pelo tarifaço norte-americano quanto pelos impactos da guerra no Oriente Médio.
Novas medidas em estudo
O governo federal informou que prepara um novo pacote de auxílio aos empresários atingidos. Estima-se que as tarifas dos EUA incidam sobre 18% das exportações brasileiras para aquele mercado, o equivalente a cerca de US$ 7,4 bilhões em 2024.
Há ainda a possibilidade de uma sobretaxa adicional de 12,5%, caso Washington conclua, até 24 de julho, que o Brasil não combate adequadamente o trabalho forçado na cadeia produtiva. Se confirmada, a alíquota total pode chegar a 37,5%. “A investigação termina na sexta-feira da próxima semana; saberemos se será cumulativa ou não”, afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.
Com informações de Gazeta do Povo