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Andy Burnham, católico de Liverpool, será o próximo primeiro-ministro do Reino Unido

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LONDRES, 17 de julho de 2026 – O deputado Andy Burnham foi proclamado hoje novo líder do Partido Trabalhista e deverá tornar-se primeiro-ministro do Reino Unido na próxima segunda-feira (20), quando se reunirá com o rei Charles III para receber o convite oficial para formar governo. Ele substituirá Keir Starmer, que renunciou ao cargo em junho.

Burnham será o sétimo ocupante do cargo desde o referendo do Brexit, realizado em 2016, e o primeiro chefe de governo da era moderna a declarar-se abertamente católico.

Da infância em Liverpool à liderança nacional

Nascido em 1970 na região de Liverpool, Burnham cresceu em família católica: o pai era engenheiro de telefonia e a mãe, recepcionista em um consultório médico. Aos 15 anos, filiou-se ao Partido Trabalhista, motivado pelos impactos das greves durante o governo conservador de Margaret Thatcher.

Formado em Literatura Inglesa pela Universidade de Cambridge, iniciou a carreira política como assessor parlamentar. Elegeu-se deputado em 2001 e integrou os governos de Tony Blair e Gordon Brown, ocupando cargos como secretário-chefe do Tesouro, secretário da Cultura e secretário da Saúde.

Prefeito de Manchester e embates com Londres

Após duas tentativas frustradas de liderar o partido, Burnham deixou o Parlamento em 2017 e venceu a eleição para a prefeitura da Grande Manchester. No cargo, destacou-se por defender maior presença do Estado na economia e por confrontar governos conservadores e trabalhistas.

Durante a pandemia de Covid-19, entrou em choque com o então primeiro-ministro Boris Johnson sobre as restrições impostas ao norte da Inglaterra e o volume de auxílio financeiro às áreas afetadas, acusando o governo central de tratar a região como “cidadãos de segunda classe”.

Uma de suas medidas mais polêmicas foi a estatização do sistema de ônibus da Grande Manchester, tornando-se a primeira área da Inglaterra em quatro décadas a retirar o serviço do setor privado. A iniciativa recebeu apoio de sindicatos e da esquerda, mas críticas de defensores do livre mercado.

Agenda e desafios

Burnham apoia programas de investimento público, aumento dos gastos em infraestrutura e maior autonomia para governos regionais, criticando a concentração de recursos em Londres. Embora católico, já questionou posições tradicionais da Igreja sobre sexualidade e defendeu o debate sobre a legalização da morte assistida no país.

Em discurso nesta sexta-feira, ele afirmou que o Partido Trabalhista está unido e usará essa coesão “em favor das pessoas e dos lugares que há muito esperam que a política lhes devolva a esperança”. A legenda busca se recuperar da derrota sofrida para o Reforma Reino Unido nas eleições regionais de maio.

Com a nomeação, Burnham assumirá a chefia do governo em um cenário de instabilidade política contínua, marcado por trocas frequentes no cargo desde a decisão britânica de deixar a União Europeia.

Com informações de Gazeta do Povo