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Novo atrito entre Lula e Milei reacende críticas à diplomacia brasileira

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Brasília, 29 de julho de 2026 – As declarações do presidente argentino, Javier Milei, que chamou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “presidiário” e “ladrão” durante a convenção nacional do PL em São Paulo, abriram mais um capítulo de tensão na política externa brasileira e reacenderam críticas de especialistas à condução diplomática do terceiro mandato de Lula.

No dia seguinte ao discurso, Milei voltou a acusar o governo brasileiro de interferir na eleição argentina de 2023 e atacou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes por ter impedido sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar.

Reação imediata do Itamaraty

Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores convocou a Brasília o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas. O chanceler Mauro Vieira também chamou o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, a fim de transmitir a “repulsa” do governo às falas de Milei.

Analistas apontam cinco falhas centrais

Para estudiosos ouvidos pela reportagem, a nova crise consolida uma série de tropeços estratégicos que, desde 2023, teriam desgastado a imagem internacional do país. Os consultados destacam:

• a primazia de critérios ideológicos sobre o pragmatismo;
• atritos com parceiros considerados estratégicos;
• proximidade com regimes autoritários;
• perda de protagonismo em fóruns globais;
• condução personalista da política externa.

Cezar Roedel, doutor em Filosofia e mestre em Relações Internacionais, avalia que o governo “permitiu que afinidades políticas se sobrepusessem ao interesse de Estado”. Já Márcio Coimbra, presidente do Instituto Monitor da Democracia, qualifica a estratégia como “anacrônica” e baseada em “dogmas terceiro-mundistas”.

Crises recentes citadas

Entre os episódios lembrados estão: o desgaste com Israel após comentários de Lula sobre a guerra em Gaza; ruídos com os Estados Unidos; e a progressiva deterioração do diálogo com a própria Argentina. Segundo Roedel, essas situações geraram adiamentos de negociações comerciais e “sensação de instabilidade” entre investidores.

Polêmica sobre regimes autoritários

A aproximação de Brasília com Venezuela, Nicarágua e Rússia também é vista pelos analistas como fator de incerteza. O caso mais recente envolveu o anúncio do presidente nicaraguense, Daniel Ortega, de que não haverá mais eleições no país. O governo brasileiro levou quatro dias para se manifestar, limitando-se depois a expressar “preocupação” e pedir respeito ao voto popular.

Itamaraty refuta críticas e exibe números

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores sustenta que a diplomacia está guiada pelo interesse nacional. A pasta informa que, desde janeiro de 2023, o chanceler Mauro Vieira realizou 645 encontros de alto nível com representantes de 120 países, enquanto o presidente Lula participou de 205 reuniões bilaterais com chefes de Estado ou de governo de 76 nações. O governo também destaca:

• conclusão de acordos de livre-comércio entre Mercosul e Singapura, União Europeia e EFTA;
• presidência brasileira do G20, do BRICS e da COP30;
• presença nas quatro últimas cúpulas do G7 como convidado.

O Itamaraty acrescenta ter sido o único membro fundador do BRICS a condenar a invasão russa da Ucrânia em 2023, além de registrar críticas a violações de direitos humanos na Nicarágua e atuação em favor de transparência eleitoral na Venezuela. A pasta lembra ainda que, a pedido de Milei, o Brasil representou interesses argentinos em Caracas.

Congresso amplia vigilância

O acúmulo de incidentes levou o Legislativo a intensificar a fiscalização sobre a política externa. Convocações de ministros e moções de repúdio passaram a ser frequentes, elevando o custo político de eventuais deslizes diplomáticos.

Enquanto o Planalto tenta conter danos, especialistas alertam que novas crises podem minar ainda mais a capacidade de interlocução do Brasil em negociações econômicas e acordos multilaterais.

Com informações de Gazeta do Povo