Numa corrida contra o relógio, o PL trabalha para escolher o candidato a vice do senador Flávio Bolsonaro até a próxima quarta-feira, 5 de agosto, data-limite para as convenções partidárias. O plano precisou ser revisto depois que o Progressistas decidiu, na quinta-feira (31), manter-se neutro na eleição presidencial, inviabilizando a indicação da senadora Tereza Cristina (PP-MS), nome preferido pela campanha.
Favorita vetada
Tereza Cristina era vista no PL como ponte com o agronegócio, com o Centrão e com o eleitorado feminino — segmento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente, segundo pesquisa Datafolha feita de 22 a 24 de julho. No cenário de segundo turno levantado pelo instituto, Lula tem 50% entre as mulheres, contra 40% de Flávio; entre os homens há empate técnico (46% a 45%).
Ao comunicar a decisão, o PP informou que a maioria dos diretórios estaduais optou por não convocar convenção nacional. Mesmo assim, Flávio agradeceu publicamente à legenda e disse que “até o dia 5 tudo pode acontecer”.
Negociação com Republicanos
Com o Progressistas fora do jogo, o Republicanos tornou-se a principal aposta do PL para ampliar a coligação. A sigla é cortejada para indicar a economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, para a vaga de vice. A ideia replica a aliança paulista, onde o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) apoia o senador.
O presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), porém, condiciona o apoio a acordos regionais. Ele reivindica que o PL respalde candidatos do partido em estados considerados estratégicos, como Mato Grosso e Roraima. A convenção nacional dos republicanos está marcada para segunda-feira, 4 de agosto, véspera do prazo final.
Plano B: chapa pura
Sem garantia de avanço com o Republicanos, dirigentes do PL admitem lançar uma “chapa pura”. Circulam internamente os nomes das deputadas Júlia Zanatta (SC) e Bia Kicis (DF) e da vereadora cearense Priscila Costa. As três são avaliadas por sua identificação com o eleitorado conservador e pelo potencial de atrair o voto feminino. Priscila, nordestina e evangélica, tem ainda proximidade com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
De acordo com o cientista político Elias Tavares, ouvido pela reportagem, escolher um vice do próprio partido reforça a identidade ideológica, mas limita a construção de alianças estaduais.
Resta ao PL definir, nos próximos dias, se conseguirá selar acordo com outra legenda ou se seguirá sozinho na disputa.
Com informações de Gazeta do Povo