A Raízen comunicou nesta quinta-feira (30) que o Tribunal de Justiça aprovou seu plano de recuperação extrajudicial, permitindo a renegociação de R$ 61,4 bilhões em dívidas. A proposta, apresentada em 5 de junho, obteve adesão de 81,6% dos credores e não recebeu contestações.
Em nota assinada pelo diretor de Relações com Investidores, Lorival Nogueira Luz Júnior, a companhia afirmou que a decisão “reforça a confiança dos stakeholders na solução consensual do endividamento do Grupo Raízen, conciliando necessidades de liquidez de curto prazo com uma estrutura de capital sustentável no longo prazo”.
Próximos passos
O plano estabelece:
- conversão de parte dos créditos em novos títulos de dívida;
- separação das operações de combustíveis e energia;
- desinvestimentos selecionados;
- aporte de R$ 3,5 bilhões a R$ 4 bilhões da Shell, com possibilidade de participação do empresário Rubens Ometto Silveira Mello, controlador da Cosan, por meio da holding Aguassanta Participações.
Juros em alta pressionam caixa
A Raízen atribui a deterioração financeira ao encarecimento do crédito após a elevação da Selic. A taxa ultrapassou os dois dígitos em março de 2022, durante o ciclo de aperto iniciado na pandemia. Em dezembro de 2019, estava em 4,5% ao ano.
Com a alta de juros, o endividamento da empresa saltou de R$ 18,3 bilhões em 2019 para os atuais R$ 61,4 bilhões. Relatórios de companhias como Light e Oi citam o mesmo fator como causa de crise. O Copom argumenta que a manutenção dos juros elevados visa conter pressões inflacionárias decorrentes das tensões no Oriente Médio e da piora no quadro fiscal.
No início de 2014, empréstimos que somavam R$ 318,5 milhões já haviam impulsionado a dívida da Raízen a R$ 6 bilhões pela primeira vez, sinalizando o avanço que se consolidou nos anos seguintes.
Com a homologação, a companhia inicia a implementação das medidas previstas, enquanto negocia a entrada dos recursos prometidos pela Shell e eventuais vendas de ativos para fortalecer o caixa.
Com informações de Gazeta do Povo