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Inflação de 88,6% e prejuízo de US$ 144 bi mergulham Irã na pior crise desde a Segunda Guerra

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Teerã — O Irã atravessa a mais grave recessão de sua história recente. Dados divulgados em junho de 2026 mostram que a inflação anual chegou a 88,6%, enquanto o Produto Interno Bruto despencou sob o impacto direto da guerra iniciada em fevereiro contra Estados Unidos e Israel.

Danos de guerra comprometem 40% do PIB

Estimativas oficiais apontam que bombardeios a instalações militares e petroquímicas já causaram perdas de US$ 144 bilhões — montante equivalente a aproximadamente 40% do PIB iraniano anterior ao conflito. A destruição interrompeu cadeias produtivas estratégicas e agravou uma economia que já enfrentava sanções internacionais severas.

Erros internos ampliam colapso

Especialistas ouvidos por veículos locais afirmam que o estrangulamento não se deve apenas às restrições externas. Durante décadas, o regime priorizou gastos militares, manteve estatais deficitárias e conviveu com corrupção endêmica. Além disso, o uso intensivo de aquíferos subterrâneos em projetos considerados estratégicos resultou em escassez de água que hoje atinge áreas urbanas e rurais.

Escalada de preços e desemprego recorde

Desde que Mahmoud Pezeshkian assumiu a presidência, em 2024, os preços de itens básicos dispararam: o óleo vegetal ficou 431% mais caro e o valor dos ovos subiu 342%. Ao mesmo tempo, apenas 37% da população em idade ativa está empregada, alimentando forte insatisfação social. Protestos de grande escala, contudo, foram contidos com repressão durante o período de hostilidades.

Caminho incerto para a recuperação

Economistas avaliam que a reconstrução dependerá do alívio das sanções impostas por Washington e de uma reorientação política que permita a entrada de investimentos estrangeiros. Sem mudanças estruturais e abertura ao diálogo com o Ocidente, o país corre o risco de permanecer isolado e com infraestrutura comprometida.

Com informações de Gazeta do Povo