O Brasil tornou-se, no primeiro semestre de 2026, o maior comprador de veículos produzidos na China. Levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), a partir de dados da alfândega chinesa, mostra que entre janeiro e maio o país importou US$ 5,2 bilhões em automóveis, superando a Rússia, que somou US$ 5 bilhões.
O montante representa avanço de quase 147 % em relação ao mesmo período de 2025, quando as aquisições brasileiras totalizaram US$ 2,1 bilhões.
Eletrificados puxam crescimento
Veículos elétricos e híbridos responderam por US$ 4,5 bilhões das compras brasileiras, segundo o CEBC. Os eletrificados já correspondem a 15 % de tudo o que o Brasil importa da China.
Com preços competitivos e ampla oferta de modelos, montadoras como BYD e GWM aceleram a presença no mercado nacional. A participação dos eletrificados chineses nas importações brasileiras saltou de 33 % em 2021 para 87 % em 2025.
Mercado interno em expansão
De janeiro a junho, foram licenciados pouco mais de 215 mil veículos leves eletrificados no país, alta de 125 % ante as 95.493 unidades do mesmo intervalo de 2025, informa a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
Em junho, os eletrificados atingiram participação recorde de 18 % nas vendas de veículos leves; no semestre, o índice ficou em 16 %. Só no sexto mês do ano foram 47.579 emplacamentos, também máximo histórico. A média mensal do semestre foi de 35.837 unidades.
“Estamos colhendo os primeiros resultados de um trabalho pela inovação tecnológica da indústria automotiva e pelo transporte limpo e sustentável”, afirmou o presidente da ABVE, Ricardo Bastos.
Impacto global
A ampliação da oferta chinesa tem repercussões fora do Brasil. Na Alemanha, montadoras anunciaram planos que podem levar à demissão de até 100 mil trabalhadores para ajustar a produção à nova conjuntura de mercado.
Com informações de Gazeta do Povo