As declarações do presidente argentino, Javier Milei, dirigidas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, durante convenção do PL no fim de semana, fizeram o Itamaraty convocar os embaixadores dos dois países para prestar esclarecimentos. Apesar do novo atrito, Brasil e Argentina mantêm uma das parcerias econômicas mais relevantes da América do Sul.
Argentina é o terceiro maior mercado para produtos brasileiros
Em 2025, a corrente de comércio bilateral somou US$ 31 bilhões, deixando a Argentina atrás apenas de China (US$ 171 bilhões) e Estados Unidos (US$ 83 bilhões) na lista de principais parceiros do Brasil. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras para o país vizinho alcançaram US$ 18,1 bilhões, avanço de 31,4% sobre 2024 e participação de 5,2% no total vendido pelo Brasil ao exterior – maior índice desde 2018.
O desempenho foi puxado sobretudo pelo setor automotivo, com embarques de carros de passeio, autopeças, acessórios e veículos de carga. A indústria de transformação também colaborou, elevando em 3,8% o valor exportado e ajudando a compensar os efeitos da desaceleração global e das novas barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos.
Efeito das tarifas norte-americanas
Na semana passada, Washington aplicou uma tarifa de 37,5% a duas categorias de produtos brasileiros por supostas práticas desleais e alegado uso de trabalho forçado. A Argentina também foi incluída, mas recebeu a alíquota mínima de 10% após firmar, meses antes, um acordo bilateral de comércio e investimentos com os EUA em meio à aproximação entre Milei e o ex-presidente Donald Trump.
Pedidos de apoio e cooperação recente
Divergências políticas não impediram a continuidade da cooperação em temas estratégicos. Em 2024, diante de uma onda de frio que reduziu estoques de gás natural, Buenos Aires solicitou e obteve a liberação de 44 milhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito fornecido pela Petrobras. No ano anterior, o Brasil apoiou, como principal acionista do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), um empréstimo emergencial de US$ 1 bilhão que permitiu à Argentina evitar um calote técnico junto ao Fundo Monetário Internacional.
Mesmo sob clima diplomático conturbado, interesses econômicos, energéticos e de integração regional continuam pautando as relações entre Brasília e Buenos Aires.
Com informações de Gazeta do Povo