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Declaração de Lula sobre Guerra do Paraguai gera críticas no país vizinho

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi alvo de críticas de autoridades paraguaias após mencionar a Guerra do Paraguai (1864-1870) durante visita à empresa Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), na sexta-feira, 24 de julho. Ao defender investimentos na área de defesa, Lula afirmou que “o Paraguai decidiu invadir o Brasil” e que o conflito, iniciado com ataques a Corumbá (MS), Uruguai e Argentina, “durou cinco anos”.

A fala provocou reação imediata em Assunção. O presidente da Câmara dos Deputados paraguaia, Raúl Latorre (Partido Colorado), classificou a declaração como leviana. “Presidente Lula, o senhor está falando com muita leviandade sobre a maior tragédia da nossa história e o maior genocídio do nosso continente”, declarou em comunicado. Ele ironizou o petista, dizendo que se “faltarem jabuticabas” poderia enviar a fruta brasileira a ele.

O ex-goleiro da seleção paraguaia e ex-candidato à Presidência, José Chilavert, foi ainda mais duro. Em publicação na rede social X, pediu que os brasileiros “expulsem esse louco bêbado e senil do governo” e sugeriu voto no senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ).

Pelo Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), o senador Edu Nakayama respondeu que Lula “esqueceu” a invasão brasileira ao Uruguai, em Cerro Largo, considerada por ele o estopim da Guerra da Tríplice Aliança. Já a senadora de esquerda Esperanza Martínez afirmou que as palavras do presidente brasileiro são “resquícios do imperialismo” e tentam ocultar “uma guerra criminosa” e uma política de domínio sobre o Paraguai.

O conflito citado por Lula começou após a intervenção do Império do Brasil no Uruguai, que levou à queda do governo aliado de Francisco Solano López. O episódio resultou na aliança entre Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai e se tornou a guerra mais sangrenta da história da América do Sul.

Até o momento, o Palácio do Planalto não comentou as críticas vindas de Assunção.

Com informações de Gazeta do Povo