HAVANA, 6 de julho de 2026 – Raúl Rodríguez Castro, neto e principal assessor do ex-presidente cubano Raúl Castro (2008-2018), declarou em entrevista ao jornal norte-americano USA Today que aceita negociar com qualquer emissário indicado por Washington, “inclusive o presidente Donald Trump”, para construir um entendimento entre Cuba e Estados Unidos.
Tentativa de contato por carta
Segundo Rodríguez Castro, uma primeira aproximação ocorreu em abril, quando ele tentou enviar a Trump uma carta propondo acordos econômicos, incentivos a investimentos e alívio das sanções impostas à ilha. O documento também alertava que o governo cubano se preparava para uma eventual operação militar norte-americana.
A missiva seria entregue por Roberto Carlos Chamizo González, empresário cubano do setor de aluguel de carros de luxo e turismo de alto padrão. No entanto, agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) detiveram Chamizo no aeroporto de Miami, apreenderam a carta e o enviaram de volta a Havana. A Casa Branca não confirmou se chegou a receber o conteúdo, e os motivos da retenção do mensageiro permanecem desconhecidos.
“Nunca me interessei por política”, diz assessor
Ao USA Today, Rodríguez Castro afirmou que a política “nunca foi uma vocação”, mas que assumiria a linha de frente “se a revolução precisar”.
Pressão crescente de Washington
Desde o início do ano, o governo Trump intensificou sanções contra Cuba, argumentando que o país abriga bases militares e de inteligência de adversários dos Estados Unidos. A escalada inclui ameaças de ação militar e o indiciamento, em maio, de Raúl Castro, responsabilizado pela morte de quatro ativistas cubano-americanos no abatimento de dois aviões civis em 1996.
Rodríguez Castro reiterou que, caso receba sinal verde de Washington, está disposto a reabrir canais de diálogo “em qualquer nível” para reduzir as tensões bilaterais.
Com informações de Gazeta do Povo