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Relatório aponta mais de 28 mil cristãos mortos na Nigéria entre 2019 e 2025

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Abuja, Nigéria – Um estudo do Observatório para a Liberdade Religiosa na África (ORFA) revela que 28.551 cristãos foram assassinados no país entre outubro de 2019 e setembro de 2025, número que supera em mais de duas vezes as 13.224 mortes de muçulmanos registradas no mesmo período.

Mortes e sequestros em larga escala

A pesquisa, distribuída em 105 páginas, contabiliza 79.323 óbitos no total, média de 36 por dia, sendo 42.033 civis. Após ajuste proporcional às populações religiosas nos estados analisados, a taxa de mortalidade entre cristãos mostrou-se 4,4 vezes maior que a verificada entre muçulmanos.

Segundo o ORFA, três em cada quatro civis morreram em ataques contra comunidades agrícolas, frequentemente marcados por assassinatos, raptos, violência sexual e destruição de propriedades.

No mesmo intervalo, foram documentados 34.773 sequestros. Grupos terroristas formados por pastores fulani responderam por 43% das ocorrências, enquanto organizações não identificadas somaram outros 49%.

Tratamento diferenciado de reféns

Entrevistas de campo indicam que prisioneiros cristãos costumam ter resgates mais altos exigidos e enfrentam maior risco de execução. Entre mulheres e meninas cristãs, relatos citam taxas mais elevadas de conversão forçada, violência sexual e casamentos compulsórios.

Responsáveis pela violência

A análise baseia-se em dados do projeto Armed Conflict Location & Event Data (ACLED), que registrou mais de 15 mil ataques letais e cerca de 4.600 casos de sequestro no período. Conforme o relatório, grupos terroristas fulani foram responsáveis por 44% das mortes de civis (18.577 vítimas). Organizações não identificadas responderam por 32%; o Boko Haram, por 8%; e o Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP), por 4%. O levantamento distingue explicitamente essas milícias da população fulani em geral, majoritariamente não envolvida nos ataques.

Raízes do conflito

O ORFA atribui a escalada de violência à disseminação de ideologia islâmica extremista pelo movimento Izala, à implementação da lei da Sharia em vários estados do norte e ao fortalecimento político de correntes supremacistas fulani, fatores que teriam impulsionado a formação de milícias armadas.

“A violência ligada às milícias fulani é hoje a principal causa de mortes na Nigéria. A ênfase ocidental no Boko Haram é, no mínimo, enganosa”, afirmou Frans Vierhout, analista sênior da entidade. “O país abriga uma rede terrorista ainda não reconhecida pelo mundo externo.”

Recomendações

O documento encerra-se com sete propostas de ação, entre elas maior atenção global à liberdade religiosa, pressão internacional para que as autoridades nigerianas combatam a impunidade, ampliação da cooperação entre governos federal e estaduais, fortalecimento do policiamento comunitário e ampliação do apoio psicossocial às vítimas.

Com informações de Folha Gospel