Brasília – A possível extinção da jornada de trabalho 6×1 – seis dias trabalhados para um de descanso – deve encarecer diferentes serviços públicos e privados em todo o país. Entidades setoriais projetam alta de até 20% nos custos operacionais, com impacto direto nas contas municipais e no bolso do consumidor.
Transporte coletivo pode ficar até 8% mais caro
Empresas de ônibus calculam aumento de 15% nas despesas totais caso a mudança na jornada seja confirmada. Como aproximadamente metade dos gastos do setor está na folha de pagamento, a necessidade de contratar novos funcionários para manter a frota em operação todos os dias levaria o preço médio da passagem a subir até 8%.
Municípios preveem gasto extra de R$ 1,5 bilhão
A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) estima desembolso adicional anual de R$ 1,5 bilhão apenas para equilibrar setores essenciais, como educação e saúde. Para cobrir as novas escalas, seriam necessárias cerca de 26 mil contratações diretas. Ainda segundo a CNM, contratos já em vigor para limpeza urbana e segurança patrimonial teriam de ser renegociados, o que representa custos bilionários extras.
Limpeza e segurança sobem 20%
Segmentos que funcionam ininterruptamente, como coleta de lixo e vigilância, preveem acréscimo mínimo de 20% nos custos. As empresas afirmam que terão de ampliar quadros ou pagar horas extras para cumprir a carga semanal reduzida a 40 horas.
Efeitos indiretos e risco de inflação
Especialistas apontam para impactos indiretos: o reajuste de contratos de prestadores de serviço, que repassam o aumento de custos ao poder público. No fim da cadeia, esses valores são financiados por impostos. A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) alerta que a elevação obrigatória da despesa com trabalho tende a ser transferida aos preços finais de produtos e serviços, pressionando a inflação.
O debate sobre o fim da escala 6×1 ocorre desde o início do ano e ganhou força em 6 de julho de 2026, data da publicação das projeções setoriais. Até o momento, não há definição sobre quando — ou se — a nova regra entrará em vigor.
Com informações de Gazeta do Povo