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Lula nomeia ex-presidente da Petrobras para chefiar programa de governo e reaviva discussão sobre modelo desenvolvimentista

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu o economista José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, para coordenar o programa de governo de sua campanha à reeleição nas eleições de 2026.

A indicação, anunciada em 2 de julho, foi interpretada por analistas como sinal de que o Palácio do Planalto pretende reforçar uma agenda desenvolvimentista, com maior participação do Estado na economia, expansão do gasto público e retomada de políticas industriais.

Perfil do novo coordenador

Gabrielli, 77 anos, é professor titular aposentado da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e pós-doutor pela London School of Economics. Militante histórico do PT baiano, atuou na fundação da legenda ao lado do senador Jaques Wagner.

Na Petrobras, assumiu a Diretoria Financeira em 2003 e a presidência em 2005, durante o primeiro mandato de Lula. Permaneceu no cargo até 2012, período marcado pela descoberta do pré-sal, pela maior capitalização da história da companhia e por controvérsias como a compra da refinaria de Pasadena, negócio que resultou em condenações do Tribunal de Contas da União (TCU) – posteriormente contestadas na Justiça.

Primeiros sinais econômicos

Em entrevistas após a nomeação, Gabrielli defendeu:

  • protagonismo estatal no financiamento ao crescimento;
  • investimentos em setores estratégicos;
  • controle mais rígido da política monetária;
  • mecanismos para reduzir a volatilidade cambial, inclusive debate sobre controle de capitais.

Para o economista, o equilíbrio das contas públicas pode ser alcançado por “outros instrumentos”, sem detalhá-los, e o problema fiscal não seria o principal entrave ao desenvolvimento.

Reações do mercado e de especialistas

O discurso gerou críticas de economistas liberais. Cleveland Prates, professor titular da FGV-SP, avaliou que a estratégia repete “uma agenda que fracassou” ao apostar que gasto público gere crescimento sustentável. Já Marcelo Farias, presidente do Instituto Liberal de São Paulo (ILISP), comparou a proposta à “Nova Matriz Econômica” adotada no governo Dilma Rousseff, responsabilizada por desequilíbrio fiscal e recessão entre 2015 e 2016.

No mercado financeiro, a possibilidade de maior intervenção no câmbio e de ampliação do crédito subsidiado pelo BNDES levantou temores de retorno a práticas consideradas adversas ao investimento privado.

PT tenta conter desgaste

Diante da repercussão, o presidente do PT e coordenador geral da campanha, Edinho Silva, declarou que as ideias de Gabrielli são “contribuições ao debate interno” e não refletem, por ora, a versão final do programa. Segundo Edinho, o texto será construído em conjunto com os partidos aliados e terá a palavra final do próprio Lula.

Com informações de Gazeta do Povo