O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitou ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que revogue as tarifas aplicadas ao Brasil e abra negociações bilaterais sobre práticas consideradas desleais. A manifestação foi encaminhada nesta quinta-feira (2.jul.2026), em Washington.
Reuniões na Casa Branca
No documento, o pré-candidato à Presidência afirma ter se reunido com o ex-presidente Donald Trump, com o vice-presidente JD Vance e com o secretário de Estado Marco Rubio. Segundo ele, transmitiu que “a imposição de tarifas ao Brasil não atende aos melhores interesses dos Estados Unidos”.
Argumentos contra o tarifaço
Flávio sustenta que a sobretaxa “recompensaria os infratores que deveria punir”, porque seria explorada eleitoralmente pelo presidente Lula (PT). O senador lembra que, na primeira rodada de tarifas de 50% — em vigor de 6 de agosto a 20 de novembro de 2025 —, nenhuma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) foi alterada, citando a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro em 11 de setembro de 2025.
Ele acrescenta que os Estados Unidos mantêm superávit comercial de aproximadamente US$ 1,47 bilhão com o Brasil. Entre janeiro e maio deste ano, as importações de produtos norte-americanos somaram US$ 15,48 bilhões, enquanto as exportações brasileiras ao país ficaram em US$ 14,01 bilhões. Para o senador, novas tarifas poderiam inverter esse quadro e afetar empresas norte-americanas já instaladas no mercado brasileiro.
Defesa do Pix
O parlamentar rebate as críticas do relatório da USTR ao Pix, classificado por empresas de cartão de crédito como concorrência desleal. Ele afirma que o sistema de pagamentos instantâneos é “infraestrutura soberana” e compara o modelo brasileiro ao FedNow, operado pelo Federal Reserve. Flávio propõe um “compromisso legislativo” para garantir que o Pix não participe de “acordos de liquidação transfronteiriços não ocidentais”.
Liberdade de expressão e STF
O documento também critica decisões do STF que, segundo o senador, ampliaram a responsabilidade das plataformas digitais e eliminaram a exigência de ordem judicial para remoção de conteúdo prevista no artigo 19 do Marco Civil da Internet. Flávio argumenta que as eleições de outubro de 2026 podem possibilitar a revogação de decretos presidenciais sobre o tema e a restauração das proteções legais.
Mercosul e acordos bilaterais
Flávio Bolsonaro apoia a avaliação do presidente argentino Javier Milei de que o Mercosul impõe custos a seus membros e cita o recente Acordo de Comércio e Investimento Recíproco firmado entre Argentina e Estados Unidos como “precedente útil” para o Brasil buscar negociações diretas com Washington.
Corrupção
Por fim, o senador reconhece problemas de corrupção no país, mas atribui a origem a “sucessivos governos do Partido dos Trabalhadores”. Ele afirma que tarifas econômicas não restabelecem a independência do Ministério Público e promete “fortalecer o combate ao crime” caso seja eleito.
O posicionamento integra a estratégia do parlamentar de se apresentar como alternativa ao governo Lula na disputa presidencial de 2026.
Com informações de Gazeta do Povo