Washington (EUA) – Integrantes do governo do presidente Donald Trump consideram “grotesca” e “oportunista” a tentativa da líder opositora venezuelana María Corina Machado de regressar à Venezuela logo após os terremotos que atingiram o país em 24 de junho. A avaliação foi divulgada nesta quarta-feira (1º) pelo site norte-americano Axios.
Segundo o portal, autoridades da Casa Branca temem que a volta de María Corina provoque tensão interna justamente quando Washington coordena, junto ao governo chavista, a entrega de ajuda humanitária. Um alto funcionário afirmou ao veículo que a presença da opositora poderia “gerar drama desnecessário” para o Departamento de Estado.
Outro membro do governo dos EUA disse ao Axios que a ex-deputada deseja aparecer “distribuindo a assistência americana” às vítimas. A mesma fonte relatou irritação do secretário de Estado, Marco Rubio, diante da insistência da política venezuelana por apoio para o retorno.
Pressão por garantias de segurança
De acordo com a publicação, María Corina tem procurado autoridades em Washington – entre elas Rubio, o vice-secretário Christopher Landau, congressistas republicanos da Flórida e conselheiros da Casa Branca – para obter garantias de segurança. O governo Trump, porém, mantém posição de neutralidade e recusou-se a patrocinar a viagem.
A líder opositora tentou deixar Manassas, no estado da Virgínia, na sexta-feira (26), rumo a Curaçao, território do Reino dos Países Baixos, de onde seguiria para Caracas. O voo foi interrompido depois que autoridades holandesas foram informadas de que o deslocamento não contava com respaldo oficial de Washington, afirmou o Axios.
No fim de semana, ela também tentou embarcar de Cidade do Panamá para a capital venezuelana pela Copa Airlines, mas foi impedida, informou o Wall Street Journal. Em vídeo nas redes sociais, María Corina argumenta que precisa “estar ao lado dos venezuelanos na busca, no consolo e no abraço” e acusa o governo chavista, agora liderado por Delcy Rodríguez, de bloquear sua entrada.
Tragédia sísmica
Os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 deixaram 2.295 mortos, 11.267 feridos e 12.841 desabrigados, segundo balanço apresentado nesta quarta-feira pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. As operações de busca concentram-se especialmente em La Guaira, na região costeira norte.
Autoridades norte-americanas ouvidas pelo Axios afirmam que a prioridade do Departamento de Estado é a “maior operação de recuperação já conduzida pelos EUA na Venezuela” e que este “não é o momento nem o lugar” para disputas políticas.
María Corina, por sua vez, acusa o chavismo de restringir a atuação de opositores, voluntários e jornalistas, além de “manipular informações” sobre a tragédia. Ela defende transparência e dignidade “para enterrar os mortos” e para garantir que a ajuda chegue aos necessitados.
Com informações de Gazeta do Povo