Brasília – 25/06/2026 – A prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, principal personagem do chamado “caso Master”, colocou sob holofotes um esquema que, segundo a Polícia Federal e órgãos de controle, supera em valores e alcance os antigos mensalão e petrolão. As apurações já somam dezenas de bilhões de reais em desvios e aproximam o episódio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Sofisticação e cifras recordes
De acordo com o cientista político Paulo Kramer, cálculos preliminares que englobam o Master e fraudes no INSS indicam prejuízos que podem chegar a R$ 150 bilhões. O mensalão, no primeiro mandato de Lula, movimentou montantes estimados entre R$ 102 milhões e R$ 1,3 bilhão, enquanto a Lava Jato registrou perdas de cerca de R$ 18 bilhões apenas na Petrobras. A delação negociada por Vorcaro cita a devolução de R$ 60 bilhões ao erário.
Investigadores afirmam que o esquema atual migrou das tradicionais licitações públicas para estruturas financeiras complexas, associando tráfico de influência, órgãos reguladores e autoridades dos três Poderes. Relatórios apontam ainda para desvios bilionários em benefícios do INSS.
Rede política ampliada
Ao contrário dos escândalos anteriores, limitados em grande parte ao núcleo petista, o Master envolveria políticos de diferentes legendas, inclusive do Centrão. Apesar disso, lideranças do PT continuam no foco. Na semana passada, a PF realizou buscas ligadas ao senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, suspeito de receber vantagens indevidas. O parlamentar nega irregularidades.
Bahia como ponto de partida
Programas de crédito e decisões administrativas adotadas por governos petistas na Bahia teriam servido de base para a expansão do Banco Master, de acordo com investigadores. Críticos atribuem o crescimento do grupo a essa influência local, enquanto setores da esquerda sustentam que a consolidação do banco ocorreu durante a gestão Jair Bolsonaro (PL) sem supervisão adequada de reguladores.
Impacto institucional
Para o professor Elton Gomes, da Universidade Federal do Piauí, o caso Master representa “o estágio máximo” de um processo iniciado no mensalão e aprimorado no petrolão. Ele destaca a participação de agentes de correntes variadas, o que alimenta a percepção de corrupção disseminada e pressões sobre Polícia Federal, Ministério Público e Banco Central.
O cientista político Antônio Flávio Testa lembra declaração do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que classificou os governos petistas como “cleptocracia” durante a Lava Jato. Segundo Testa, a atual investigação mostra que as redes de cooptação alcançaram “quase todos os ramos econômicos” ao longo de duas décadas.
Memória de escândalos
A deputada Caroline De Toni (PL-SC) relembra uma série de episódios desde 2003: propinas nos Correios, Bancoop, repasses da Odebrecht, financiamentos do BNDES a empreiteiras e fraudes em fundos de pensão. Ela defende manter vivo o histórico de corrupção para evitar a repetição de novos casos.
Com o avanço das investigações, o caso Master torna-se o maior escândalo financeiro já registrado no país, segundo a PF, projetando repercussões sobre o cenário político e o projeto de reeleição de Lula em 2026.
Com informações de Gazeta do Povo