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Aliança de Ciro com PL no Ceará expõe racha entre Michelle e Flávio Bolsonaro

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Fortaleza, 24 de junho de 2026 – A tentativa do pré-candidato ao governo do Ceará Ciro Gomes (PSDB) de firmar apoio com o diretório estadual do PL desencadeou uma disputa pública entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Enquanto busca a parceria regional para enfrentar o PT no estado, Ciro mantém ataques à cúpula nacional do partido, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Conciliação regional, confronto nacional

Para viabilizar a chapa no Ceará, Ciro se aproximou do deputado André Fernandes, que preside o PL cearense. Questionado sobre a aliança com políticos antes rotulados de “ladrões”, o tucano respondeu, no fim de maio, que “os meus bolsonaristas são todos homens honrados, limpos”.

Em entrevista à revista Veja em 19 de junho, Ciro declarou que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro são “rigorosamente iguais” e rechaçou qualquer apoio a uma eventual candidatura presidencial de Flávio. “A desavença nacional com o PL é insuperável”, afirmou.

Reação de Michelle

Michelle Bolsonaro classificou o acerto local como “pragmatismo político oportunista” e recordou ofensas de Ciro, que chamou Bolsonaro de “jumento” e seus enteados de “ovos de serpente”. Ela também cita que o PDT, então partido de Ciro, apresentou uma das ações que resultaram na inelegibilidade do ex-presidente.

Na última segunda-feira (22), Michelle compartilhou nas redes sociais um vídeo de apoiador que elogiava sua resistência à aliança e criticou a mais recente entrevista de Ciro.

Flávio e irmãos defendem acordo

Flávio, por sua vez, apoia a composição com o PSDB no Ceará e acusou a madrasta de desconsiderar a vontade de Jair Bolsonaro. Os deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) também saíram em defesa de Fernandes, alegando injustiça nas críticas de Michelle.

Origem do impasse

O diretório cearense do PL declarou apoio a Ciro em dezembro de 2025. Pouco depois, durante o lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo estadual, Michelle reprovou a decisão publicamente. O atrito levou o PL a suspender temporariamente as conversas com o PSDB.

Em maio, Michelle voltou a pressionar ao divulgar um vídeo de 2019 em que Ciro chamava Bolsonaro de “jumento”. A divergência segue sem solução interna.

Pauta de segurança une aliados locais

Ciro sustenta que a prioridade de sua campanha é o combate ao crime organizado e à violência no Ceará, agenda que, segundo ele, justifica a parceria com André Fernandes e com o pré-candidato ao Senado Capitão Wagner (União Brasil).

Até o momento, o impasse entre Michelle e Flávio continua a dividir o clã Bolsonaro, enquanto Ciro tenta avançar na costura política que poderá definir a disputa local em 2026.

Com informações de Gazeta do Povo