Home / Internacional / Israel vê risco de avanço iraniano no Líbano após memorando entre EUA e Teerã

Israel vê risco de avanço iraniano no Líbano após memorando entre EUA e Teerã

ocrente 1782185653
Spread the love

Autoridades israelenses relataram ao portal norte-americano Axios que o governo de Benjamin Netanyahu teme um ganho de influência do Irã no Líbano depois do memorando de entendimento assinado pelos Estados Unidos e Teerã em 23 de junho de 2026.

O documento, que abriu caminho para negociações de paz definitivas, estabelece o fim de hostilidades de todos os envolvidos – inclusive no território libanês – e determina o respeito à integridade territorial do Líbano. Para Jerusalém, essa cláusula pode reduzir a liberdade de ação militar contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã.

Segundo as fontes israelenses citadas pelo Axios, Washington estaria “legitimando” parte da presença política iraniana em Beirute ao inserir o Líbano no diálogo com Teerã. O receio é de que um futuro acordo enfraqueça os esforços conduzidos desde 2023 para conter o Hezbollah e limitar a atuação iraniana na região.

Novo mecanismo sem participação israelense

Na atual rodada de tratativas, Estados Unidos e Irã concordaram em criar um mecanismo de coordenação destinado a evitar novos confrontos no Líbano. O formato envolveria EUA, Irã, Líbano, Paquistão e Catar, mas deixaria Israel de fora.

No entendimento anterior, firmado em 2024 com o então presidente Joe Biden e mantido pela gestão Donald Trump, Israel dispunha de autorização tácita para agir tanto contra ameaças imediatas quanto contra riscos “em formação” do Hezbollah. Agora, avaliou um alto funcionário israelense, as operações militares poderiam ficar restritas a casos de ataque iminente, com eventual pressão de Washington para conter incursões israelenses em solo libanês.

Tropas israelenses no sul do Líbano

Desde outubro de 2023, quando o Hezbollah intensificou disparos de foguetes e drones contra o norte de Israel em apoio ao Hamas, os combates na fronteira se transformaram em guerra aberta. Em resposta, o Exército israelense avançou até 10 quilômetros dentro do sul do Líbano e instalou uma zona de segurança destinada a evitar novos ataques e a impedir o rearmamento do grupo.

Oficiais em Tel Aviv avaliam que a manutenção dessa faixa pode ser questionada caso o entendimento entre Washington e Teerã imponha limites mais rígidos à presença militar israelense no país vizinho.

Com informações de Gazeta do Povo