Lima – 19 de junho de 2026. O Ministério das Relações Exteriores do Peru divulgou nota nesta sexta-feira (19) negando as acusações do candidato de esquerda Roberto Sánchez, que afirmou ter havido manipulação nos votos registrados fora do país no segundo turno da eleição presidencial.
A pasta declarou “rejeitar enfaticamente” qualquer insinuação de que seus funcionários consulares tenham interferido no pleito, favorecido algum candidato ou alterado material eleitoral. As críticas de Sánchez foram feitas na quinta-feira (18), quando ele disse que a mudança de procedimentos teria “quebrado a cadeia de custódia” das atas e aberto brecha para fraudes.
Uso de aplicativo foi descartado no segundo turno
Segundo o Itamaraty peruano, no primeiro turno, a pedido do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), foi utilizado em 108 dos 180 consulados um aplicativo para digitalização de atas, a fim de agilizar a transmissão dos resultados. Após relatos de dificuldades técnicas, o governo e o Onpe decidiram não empregar a ferramenta no segundo turno, realizado em 7 de junho.
O ministério ressaltou que a decisão não alterou a Lei Orgânica das Eleições nem comprometeu a segurança do material. “A partir do encerramento da votação, os resultados foram lacrados, afixados publicamente nas repartições e transportados em malas diplomáticas, acompanhados por funcionários designados”, informou a nota. A chancelaria acrescentou que todas as urnas e atas chegaram intactas à sede do Onpe em Lima, com recibos que comprovam a entrega.
Fiscalização e observadores
A chancelaria afirmou ainda que representantes de partidos políticos, funcionários da Justiça Eleitoral peruana em Buenos Aires e observadores internacionais acompanharam todo o processo de votação e transporte dos documentos.
Disputa permanece acirrada
Nesta semana, a Justiça negou pedido de Sánchez para anular votos no exterior, e seu partido, Juntos pelo Peru, declarou que não reconhecerá o resultado final. Até o momento, 92.327 das 92.766 atas já foram contabilizadas: a conservadora Keiko Fujimori soma 50,118% dos votos válidos, contra 49,882% de Sánchez — vantagem de cerca de 44 mil votos.
O desfecho depende da revisão de 439 atas que apresentaram inconsistências; outras 1,6 mil foram enviadas à Justiça Eleitoral para análise detalhada, processo que pode se estender por semanas.
Com informações de Gazeta do Povo