Brasília — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026, que a política mundial atravessa “momento muito delicado” em razão da rápida propagação de fake news pelas redes digitais, fenômeno que, segundo ele, atinge “tanto a direita quanto a esquerda”.
A declaração foi feita durante a sétima sessão plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Social e Sustentável (Conselhão), colegiado que reúne representantes da sociedade civil e do empresariado para discutir políticas públicas.
“A narrativa e o argumento não valem mais nada. O que vale é a rapidez da mentira nas redes digitais, e tanto para a direita quanto para a esquerda”, disse o chefe do Executivo, ressaltando que os discursos curtos e sem explicações ganham espaço nas plataformas online.
Referência aos protestos no México
Lula mencionou os atuais protestos no México, comparando-os às manifestações de 2013 no Brasil, iniciadas contra o aumento de R$ 0,20 nas tarifas de transporte público. Para o presidente, aqueles atos no país vizinho podem abrir espaço para o avanço da extrema direita, como teria ocorrido no Brasil.
Sem citar nomes, ele afirmou que, em 2013, “a extrema direita tomou conta das ruas utilizando o verde e amarelo”, contexto que, na avaliação dele, contribuiu para o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e para a eleição de um novo mandatário. Lula informou que pretende dialogar por telefone com a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, por enxergar semelhanças entre os dois cenários. “Às vezes, acho que tem o dedo de alguém, e talvez nem seja mexicano”, acrescentou.
Cobranças ao mercado financeiro
No mesmo discurso, o presidente voltou a criticar agentes do setor financeiro que questionam o déficit público brasileiro. Ele comparou o cenário nacional a outros países e declarou que “se a gente tiver um déficit de 0,20% do PIB, vai cair o mundo”, enquanto a dívida dos Estados Unidos giraria em torno de 120% do PIB.
Lula também defendeu mais despesas em políticas de educação, questionando o custo de não se investir adequadamente no passado. “Nunca pararam para perguntar quanto custou não fazer a p* das coisas sérias no tempo em que deveria fazer”, afirmou.
A participação do presidente encerrou a sétima reunião do Conselhão, que segue reunindo propostas da sociedade civil e do empresariado para a formulação de políticas públicas.
Com informações de Gazeta do Povo